Brasil mantém usinas de carvão apesar de metas
O Brasil zerou propostas para novas termelétricas a carvão mineral, mas simultaneamente ampliou incentivos e contratos que mantêm ativos operacionais até 2040. A contradição foi destacada pelo relatório Boom and Bust 2026, do Global Energy Monitor (GEM), que observa um distanciamento entre a capacidade instalada global e a geração efetiva de energia.
No cenário doméstico, o Ibama encerrou o licenciamento da usina Nova Seival em fevereiro de 2025 e arquivou a usina Ouro Negro em novembro do mesmo ano, tornando a América Latina livre de novos projetos inéditos do combustível. Apesar disso, o governo federal aprovou a Lei nº 15.269, prorrogando compras obrigatórias de energia de carvão, e contratou unidades como o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda até 2040, com custos anuais elevados.
O Ministério de Minas e Energia defende o uso do carvão para garantir a segurança e a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional. Em contrapartida, estudos do Centre for Research on Energy and Clean Air indicam que o complexo de Candiota pode causar até 1,3 mil mortes e gerar custos de saúde de R$ 11,7 bilhões até 2040, enquanto o passivo de multas ambientais não pagas soma R$ 125 milhões.
