Rio2C 2026: Indústria Criativa e Futuro do Audiovisual Brasileiro
O evento Rio2C 2026 atraiu mais de 55 mil participantes de 30 países para o Rio de Janeiro, consolidando-se como um polo de debates, negócios e apresentações artísticas voltadas para a indústria criativa. Abrangendo mais de 20 setores, o evento demonstrou a força econômica e cultural deste segmento, com destaque para discussões sobre inteligência artificial, comunicação, audiovisual, games, música e inovação.
Durante o Rio2C, foram realizadas 1.650 reuniões de mercado, envolvendo 366 players da indústria e 1.301 inscrições em pitchings para os setores audiovisual, editorial, música e soluções tecnológicas. A edição de 2026 também foi marcada pelo fortalecimento institucional da cultura como política de desenvolvimento econômico, com o anúncio da inclusão da cadeia produtiva do audiovisual no programa Nova Indústria Brasil (NIB), iniciativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em parceria com o Ministério da Cultura.
O Programa da Nova Indústria do Audiovisual Brasileiro prevê linhas de crédito específicas, estímulo à exportação e articulação com instituições financeiras como BNDES, Finep, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O ministro Márcio Elias Rosa destacou o peso econômico do setor. O palco MinC Conecta, espaço próprio do Ministério da Cultura no evento, reuniu discussões sobre inteligência artificial, fomento cultural e economia criativa.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, apresentou dados da Fundação Getulio Vargas que apontam que R$ 3 bilhões investidos via Lei Rouanet movimentaram R$ 25,7 bilhões na economia brasileira em 2024, gerando 228 mil postos de trabalho e R$ 3,8 bilhões em tributos. Ela enfatizou a importância da cultura como área estratégica para o desenvolvimento nacional e a necessidade de reconstrução de políticas culturais, ressaltando que “Cultura é indústria, é mercado, é geração de emprego, mas também é identidade, pertencimento e desenvolvimento humano”.
Foi lançada oficialmente a plataforma Tela Brasil, um streaming público e gratuito dedicado ao audiovisual brasileiro, coordenado pelo Ministério da Cultura em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e com acesso integrado ao Gov.br. A plataforma estreou com 555 obras, incluindo clássicos como Central do Brasil e Cidade de Deus. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a plataforma como uma ferramenta de soberania cultural e criticou o excesso de conteúdos estrangeiros consumidos no país.
Rafael Lazarini, idealizador do Rio2C, considerou a edição de 2026 como um marco de maturidade institucional e confirmação da internacionalização do evento, posicionando-o como “um evento setorial de ponta”.
