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CBF articula liga unificada em meio a divisão de blocos

CBF articula liga unificada em meio a divisão de blocos

CBF articula liga unificada em meio a divisão de blocos

A criação de uma liga única para organizar o Campeonato Brasileiro, antes um objetivo distante dos clubes, ganhou força e voltou ao centro das discussões do futebol nacional em 2026. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) busca articular um processo que os próprios clubes não conseguiram concluir devido a divergências em modelos de negócio e divisão de receitas.

Atualmente, o futebol brasileiro está dividido entre a Libra (Liga do Futebol Brasileiro) e a Futebol Forte União (FFU), ambas funcionando como estruturas de representação comercial que negociam coletivamente direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro (TV aberta, assinatura, streaming e pay-per-view). O surgimento desses blocos decorre da incapacidade dos clubes de acordar um modelo único de organização e distribuição de receitas desde a implosão do Clube dos 13 em 2011.

A Libra optou por um modelo sem investidores externos, mantendo a propriedade integral dos ativos pelos clubes e utilizando a estrutura coletiva para negociar contratos, como o acordo de R$ 6 bilhões com a Globo para 2025-2029. Já a FFU antecipou receitas futuras cedendo entre 10% e 20% de seus direitos à Sports Media Entertainment (SME), recebendo R$ 2,2 bilhões em aportes. Para isso, foi criado o Condomínio Forte União (CFU), viabilizando a comercialização e distribuição de receitas.

A CBF enxerga na ausência de entendimento entre os blocos uma oportunidade de liderança, assumindo o papel de moderadora das discussões e vislumbrando novas possibilidades de participação econômica futura. Em 6 de abril de 2026, o presidente Samir Xaud apresentou um estudo para a criação de uma liga única, dividindo o processo em três etapas: Produto, Comercialização e Governança, com horizonte de implementação a partir de 2030.

O plano da CBF inclui melhorias no calendário, tempo de bola rolando, modernização de estádios, infraestrutura, transmissões, comunicação digital, marketing, desenvolvimento de talentos, governança e sustentabilidade financeira. O objetivo é alcançar patamares de receita comparáveis às principais ligas europeias (Premier League, La Liga, Bundesliga), que geram bilhões de euros, enquanto o Brasileirão movimenta cerca de 1,8 bilhão de euros.

A complexidade do cenário é acentuada por conflitos internos, como o questionamento judicial do Flamengo sobre a divisão de receitas na Libra, evidenciando divergências sobre a distribuição de dinheiro entre clubes de diferentes portes. O principal obstáculo para a unificação são os compromissos jurídicos e contratuais de longo prazo firmados por Libra e FFU com seus parceiros comerciais.

A FFU, por meio de seus investidores, defende que o potencial econômico do futebol brasileiro está subexplorado, com projeções de alcançar R$ 13 bilhões em receitas, comparado aos atuais R$ 3 bilhões, através de desenvolvimento de plataformas digitais, novos formatos de transmissão e exploração internacional da marca. A dificuldade de consensos, tanto entre blocos quanto internamente, indica que a construção de uma liga única demandará mais do que boa vontade política.

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