Mostra de arte quilombola ressignifica antigo espaço de violência em Cavalcante
O espaço histórico conhecido como Osoca, em Cavalcante (GO), que já abrigou a cadeia pública local e remete a memórias de violências contra pessoas escravizadas, foi ressignificado pelos artistas da região. As ruínas deste local se tornarão palco da 4ª Mostra Afro Cena e da 3ª Mostra de Teatro Afro Cena, que ocorrerão do feriado de quinta-feira (4) a domingo (7).
A coordenadora Edymara Diniz explica que o evento, em território Kalunga, considerado o maior do Brasil, vai além da apresentação de espetáculos. A comunidade participa ativamente na produção, organização e atividades formativas, demonstrando a importância do Osoca como prédio histórico e parte da memória coletiva da cidade, que já teve diversas funções ao longo do tempo.
A escolha do local para a mostra, onde anteriormente funcionou uma guilhotina e, posteriormente, uma cadeia pública, não visa apagar o passado, mas confrontá-lo. “Ao trazer o teatro negro para esse espaço, afirmamos que um local que já foi cenário de dores pode se ressignificar por meio da arte”, declara Diniz. Na quinta-feira, o evento contará com artesãos, cozinheiras, artistas, estilistas e empreendedores culturais negros e quilombolas, além das apresentações da Pequena Orquestra de Cavalcante, Curraleira Engenho 2, Dança Sussa Kalunga e do cantor Allexy Nerys.
De sexta (5) a domingo (7), a Mostra de Teatro Afro Cena apresentará o espetáculo Danúbio (DF), Sarará Crioulo (Cavalcante e Quilombo Kalunga), o recital Vozes Negras (Salvador, BA) e a performance Ancestrais a Benção (coletivo de mulheres negras e indígenas de Goiás).
