Monique Medeiros deixa prisão após perdão judicial no caso Henry Borel
A professora Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, foi liberada na tarde desta quinta-feira (4) do presídio feminino Talavera Bruce, no Complexo Penitenciário de Gericinó. A decisão de perdão judicial foi concedida pela juíza Elizabeth Louro, do 2º Tribunal do Júri.
Por decisão do Conselho de Sentença, o crime de Monique foi desclassificado de homicídio doloso para homicídio culposo. Ela recebeu perdão judicial e foi condenada a um ano e quatro meses de prisão pelo crime de omissão em relação à tortura sofrida pelo filho. A pena foi considerada cumprida, pois Monique já passou por prisão preventiva.
A Promotoria anunciou que irá recorrer da sentença. Enquanto isso, o padrasto de Henry, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, foi condenado a 43 anos, nove meses e 20 dias de prisão pela morte do menino, ocorrida em março de 2021. Jairinho foi condenado por homicídio duplamente qualificado, tortura e coação.
Durante a sustentação, o promotor Fábio Vieira destacou o histórico de agressões de Jairinho contra mulheres e crianças, citando um episódio relatado por Monique onde ele teria pulado o muro de sua casa e a enforcado por ciúmes. O promotor também ressaltou que Monique, como mãe e garantidora legal de Henry, omitiu-se de sua responsabilidade, mesmo ciente das agressões e presente nos fatos.
Os advogados de Monique, Florence Rosa e Hugo dos Santos Novais, defenderam que o Tribunal do Júri é uma garantia constitucional e que a soberania dos vereditos é assegurada pela Constituição. Em nota, a defesa afirmou que o julgamento foi pautado na análise das provas e que Monique não praticou agressões contra o filho, lamentando não ter percebido a tempo a violência sofrida por ela e pela criança. A defesa também sugeriu que o caso convida à reflexão sobre a compreensão dos fenômenos de violência doméstica, psicológica e de gênero.
