EUA classificam facções brasileiras como terroristas
A decisão do governo de Donald Trump, nos Estados Unidos (EUA), de classificar facções criminosas do Brasil como organizações terroristas entrou em vigor nesta sexta-feira (5). A medida, anunciada em 28 de maio, pode gerar consequências econômicas e geopolíticas para o país.
O governo brasileiro criticou a medida, argumentando que ela abre margem para intervenções de Washington nos assuntos internos sob o pretexto de combate ao terrorismo. O Palácio do Planalto defende que o combate ao crime deve ser realizado por meio de cooperação internacional, respeitando as soberanias nacionais.
Especialistas consultados pela Agência Brasil avaliam que a iniciativa visa limitar a soberania brasileira e pode servir de justificativa para intervenções estrangeiras diretas. Além disso, a medida é vista como prejudicial à economia do país, com potenciais impactos negativos no turismo, investimentos, comércio exterior e sistema financeiro.
O governo Trump tem adotado uma política de designar cartéis mexicanos e organizações criminosas de países como Venezuela, Equador e Colômbia como terroristas. Em março, a Casa Branca formou a coalizão ‘Escudo das Américas’, reunindo 12 países latino-americanos para combater o narcotráfico e, segundo analistas, afastar a influência econômica de adversários como China e Rússia.
A justificativa do combate ao narcotráfico foi utilizada para o sequestro do presidente venezuelano Nicolas Maduro e para pressionar o México, ações denunciadas pela presidente mexicana Claudia Sheinbaum como ingerência em assuntos internos. Paralelamente, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA recomendou a taxação de importações brasileiras em 25% devido a supostas práticas comerciais desleais, criticando também o Pix por prejudicar empresas de pagamento americanas como Visa e Mastercard.
Em resposta a essas ações, o governo Trump anunciou a intenção de impor tarifas adicionais de 10% ou 12,5% a importações de 60 países, incluindo o Brasil, alegando falhas no combate ao trabalho forçado. O Ministério das Relações Exteriores brasileiro contestou as justificativas, considerando-as um disfarce para medidas protecionistas unilaterais, e sinalizou que o Brasil poderá recorrer à Lei de Reciprocidade para adotar contramedidas comerciais.
