Mostra em SP celebra arte e saberes indígenas com Escolas Vivas
Uma exposição em São Paulo, no Instituto Tomie Ohtake, reúne registros e experiências do movimento indígena das Escolas Vivas. Com obras coletivas, a mostra celebra modos de transmissão de saberes ligados aos povos Guarani Mbya, Baniwa, Huni Kuin, Maxakali e Tukano-Desana-Tuyuka. A exposição, com entrada gratuita, fica em cartaz até 9 de agosto.
Os visitantes poderão conhecer práticas pedagógicas, saberes e obras construídas a partir da relação entre território, memória, espiritualidade e vida coletiva. A mostra é uma correalização do Instituto Tomie Ohtake com a Associação Selvagem e teve a colaboração dos coordenadores das Escolas Vivas. A filósofa e educadora Cristine Takuá explica que a colonização brasileira foi violenta e afetou corpos, memórias e territórios, e que o movimento das Escolas Vivas ressalta que a transmissão de conhecimento para os povos indígenas vai além de letras e números, englobando artes, espiritualidades e saberes ancestrais.
Cristine Takuá, curadora da mostra, detalha que o projeto Escolas Vivas é um coletivo que busca transformar a relação de ensinar-aprender, valorizando o que é útil e necessário na troca constante de saberes ancestrais, que foram desfigurados pela escola clássica. As obras expostas foram produzidas em oficinas nos territórios das Escolas Vivas e na residência Casa Escola Viva no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. A instalação ‘O umbigo do mundo’ dos Baniwa, o pano professor dos Huni Kuĩ com kenes, a instalação coletiva dos Maxakali com mastros e a instalação ‘Pytü, o Escuro’ dos Guarani Mbya estão entre os destaques. Há também uma farmácia amazônica dos povos Tukano, Desana e Tuyuka e um núcleo dedicado aos mais velhos, com obras de Ailton Krenak, Ehuana Yanomami, Tõrãmu Kẽhíri e Moisés Piyãko.
A curadora avalia que as Escolas Vivas podem inspirar a sociedade a repensar o modelo educacional vigente no Brasil, mesmo fora dos territórios indígenas, e que o currículo escolar muitas vezes prioriza referências estrangeiras. A mostra é um convite à sociedade para repensar a educação e a relação com a natureza, lembrando que os seres humanos são parte da natureza. É um chamado ao despertar de consciência para que todos se somem na luta para cuidar e respeitar a natureza como um todo.
