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Doença falciforme: sintomas, diagnóstico e desafios

Doença falciforme: sintomas, diagnóstico e desafios

Doença falciforme: sintomas, diagnóstico e desafios

A doença falciforme, de origem genética e hereditária, é frequentemente confundida com anemia, mas abrange um espectro muito mais amplo de condições de saúde. Estima-se que afete até 100 mil brasileiros, segundo o Ministério da Saúde. A condição afeta todos os órgãos e é transmitida de pais para filhos.

Marimília Pita, hematologista e criadora da ONG Lua Vermelha, explica que a anemia é o sintoma inicial mais comum. A causa reside na alteração das hemácias (glóbulos vermelhos), que perdem seu formato tradicional e adquirem uma forma alongada, semelhante a uma foice – daí o nome falciforme. Essas células falcizadas possuem menor tempo de vida (20 a 80 dias contra 120 dias das normais) e são rígidas, levando à obstrução de vasos sanguíneos e impedindo o transporte de oxigênio aos tecidos.

A falta de oxigenação adequada causa microinfartos que podem afetar desde membros até órgãos vitais como coração e olhos. Com o tempo, o paciente pode desenvolver complicações como cardiopatia, pneumopatia e nefropatia. O diagnóstico precoce é possível através do Teste do Pezinho, que inclui a pesquisa de hemoglobina, tornando o acompanhamento e a prevenção de infecções mais eficazes.

Crises de dor intensa são outro sintoma marcante, causadas pela obstrução dos vasos sanguíneos pelas hemácias falciformes. Essas dores, frequentemente em ossos e articulações, podem ser tão severas que exigem internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e administração de morfina. Há relatos de subtratamento da dor em comparação com outros países, com pacientes muitas vezes estigmatizados como dependentes químicos.

O racismo estrutural é um desafio adicional, visto que a doença é mais prevalente na população negra, cuja ancestralidade remonta à África, local de origem da mutação genética. No entanto, a doença falciforme é mundial e não se restringe a uma única etnia, ocorrendo em diversas partes do globo. A falta de preparo de alguns profissionais de saúde para lidar com a dor aguda e o estigma social agravam a condição dos pacientes.

Apesar de não ter cura na maioria dos casos, a doença falciforme pode ser controlada com acompanhamento médico e tratamento. Em situações específicas, o transplante de medula pode ser curativo. Histórias como a de Nilceia, que acompanhou seu filho Agner, advogado de 47 anos, e Lucas, escritor de 35 anos que superou diversas limitações, demonstram a importância da resiliência, do acesso a direitos e da busca por uma vida plena, mesmo diante das adversidades da doença.

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