Chanceler alemão defende democracia em acordos comerciais
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, defendeu a importância de alianças com governos democráticos, confiáveis e previsíveis, ao mesmo tempo em que ponderou sobre a necessidade de certo protecionismo econômico. As declarações foram feitas durante o AHK Business Breakfast, promovido pela Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo).
Wadephul ressaltou que a aproximação com países pautados por princípios como legalidade, segurança jurídica e salvaguarda de direitos fundamentais é uma estratégia crucial em um cenário mundial de crescente desconfiança. Ele citou a política de impostos de Donald Trump nos Estados Unidos como um exemplo de desordem que a Alemanha rejeita. O ministro classificou o Brasil como um parceiro de ligações estreitas, afirmando que o país “faz parte da nossa família”.
O chanceler alemão também abordou a relação com a China, indicando que a Alemanha continuará a investir em cooperações, mas com cautela, avaliando o impacto da crescente participação chinesa na economia alemã. Ele reconheceu a China como um competidor, ressaltando que a concorrência impulsiona a criação de melhores tecnologias e produtos. Svenja Ahlburg, porta-voz do Wilo Group, presente no painel, destacou a falta de crédito ao Brasil e a importância da geração de valor local e competitividade. Segundo ela, acordos comerciais, por si só, não são suficientes sem esses componentes e inovação.
A Alemanha, com a economia mais potente da Europa e a terceira do ranking mundial, é o quarto principal parceiro comercial do Brasil, com movimentação de US$ 21 bilhões. O investimento direto alemão no Brasil acumula US$ 44 bilhões, posicionando o país em sétimo lugar no ranking. Em maio deste ano, foi firmado o Acordo Mercosul-União Europeia, visando cooperação em diversos setores. A Alemanha também é uma das principais financiadoras de projetos ambientais no Brasil, como os relacionados ao Fundo Amazônia, onde já contribuiu com R$ 387,8 milhões em contratos celebrados entre 2010 e 2022. Em abril, comprometeu-se a doar R$ 2,94 bilhões para o Fundo Clima, destinado a projetos de combate às mudanças climáticas. O Fundo Amazônia, administrado pelo BNDES, já beneficiou mais de 259 mil pessoas com atividades produtivas sustentáveis, 75 mil indígenas e 122 terras indígenas, além de 192 unidades de conservação.
