Estudo investiga estratégias corporativas de blackwashing no Brasil
Um novo estudo da organização não governamental ACT Promoção da Saúde analisa o conceito de blackwashing, prática em que empresas utilizam pautas de justiça racial como estratégia de marketing para impulsionar vendas e fortalecer a imagem da marca. A publicação questiona se o engajamento corporativo na equidade racial é genuíno ou apenas superficial.
O termo blackwashing refere-se a uma maquiagem da diversidade racial, análoga aos conceitos de greenwashing e pinkwashing. Segundo os pesquisadores, a prática se manifesta de oito formas distintas, incluindo a divulgação seletiva de dados, a criação de políticas vazias, o uso de certificações duvidosas, parcerias com ONGs cooptadas, programas voluntários ineficientes, campanhas de marketing enganosas, uso estratégico de influenciadores e a tentativa de influenciar a formulação de políticas públicas.
Dados do Instituto Ethos, citados no levantamento, expõem a discrepância entre a representatividade populacional e o ambiente corporativo. Embora pessoas pretas ou pardas representem 55,5% da população brasileira, elas ocupam menos de 6% dos conselhos e menos de 14% dos cargos executivos nas 1,1 mil maiores empresas do país. O relatório conclui que o blackwashing atua como um mecanismo que mantém a desigualdade funcional à acumulação de capital, exigindo enfrentamento além de meros apelos éticos.
