EUA e Arábia Saudita firmam acordo nuclear civil
Os Estados Unidos e a Arábia Saudita chegaram a um acordo para o desenvolvimento de energia nuclear civil. O pacto permite que o reino enriqueça urânio e construa reatores nucleares com tecnologia norte-americana, sem a exigência de inspeções sem aviso prévio da Organização das Nações Unidas (ONU) que Washington havia anteriormente demandado do Irã.
O acordo nuclear civil com a Arábia Saudita vinha sendo negociado há anos, durante os mandatos dos ex-presidentes Donald Trump e Joe Biden. Contudo, nenhuma conclusão havia sido alcançada até o momento, em parte devido às preocupações de grupos de não proliferação, que alertavam para a possibilidade de o reino desenvolver armas nucleares.
Diferentemente do plano de Biden, o acordo proposto pelo governo Trump não exige que a Arábia Saudita assine o Protocolo Adicional, que autoriza a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) a realizar inspeções sem aviso prévio em locais não declarados. A Arábia Saudita passou a ter salvaguardas regulares com monitoramento de instalações nucleares declaradas há mais de um ano.
O Protocolo Adicional foi concebido para prevenir atividades nucleares secretas, uma preocupação que se agrava com as declarações do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que afirmou que Riad desenvolverá armas nucleares caso seu rival regional, o Irã, o faça. O Irã implementou o Protocolo Adicional no âmbito de um acordo nuclear de 2015, mas o deixou de implementar em 2023.
O novo acordo com Washington permitirá à Arábia Saudita enriquecer urânio e reprocessar resíduos nucleares. Os Emirados Árabes Unidos, por sua vez, concordaram em renunciar a essas atividades ao firmarem um acordo similar com os EUA em 2009. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e seu homólogo, o príncipe Abdulaziz bin Salman, assinaram o pacto, conhecido como Acordo 123.
O governo dos EUA afirmou que o documento respeita os acordos de não proliferação previstos na Lei de Energia Atômica dos EUA. A Arábia Saudita tem reiterado que, na ausência de parceria com os EUA, poderia buscar acordos com a China ou a Rússia, países com diferentes padrões de proliferação. A Aiea ainda não se manifestou sobre o anúncio.
O acordo será encaminhado ao Congresso dos EUA. Se o Congresso não conseguir votos suficientes para se opor ao acordo em até 90 dias de sessão, ele entrará em vigor. Especialistas nucleares pediram aos parlamentares que rejeitem o acordo, citando os riscos de proliferação nuclear no Oriente Médio. O acordo de aproximadamente 30 anos para a construção de reatores AP1000, avaliado em dezenas de bilhões de dólares, beneficiará a Westinghouse.

