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Acordo Nuclear EUA-Arábia Saudita Gera Críticas de Política Externa

Acordo Nuclear EUA-Arábia Saudita Gera Críticas de Política Externa

Acordo Nuclear EUA-Arábia Saudita Gera Críticas de Política Externa

Um acordo de cooperação nuclear de longo prazo e multibilionário entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita levanta questionamentos sobre a consistência da política externa americana. O pacto, que ainda requer aprovação do Congresso dos EUA, ocorre em um momento em que Washington pressiona o Irã a encerrar seu programa de enriquecimento de urânio.

A contradição reside no fato de a administração Donald Trump firmar esta parceria com a Arábia Saudita, permitindo, em tese, o enriquecimento de urânio para fins pacíficos. Isso contrasta com a postura firme adotada em relação ao Irã, que sustenta que seu programa nuclear não tem objetivos militares. O historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva, da UFRJ, avalia que o acordo reflete uma tentativa de Trump de restaurar a confiança de Riade, especialmente após a guerra com o Irã, e sugere que os EUA estariam indicando que os sauditas poderiam possuir armas nucleares como resposta.

Apesar de o governo Trump afirmar que a Arábia Saudita não desenvolverá armas nucleares, especialistas alertam para a relutância do país em assinar um “protocolo adicional” com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que permitiria inspeções-surpresa. A Associação de Controle de Armas (Arms Control Association) observa que o desejo saudita de desenvolver um ciclo completo de combustível nuclear não é típico de nações iniciantes na área. A ONG argumenta que ceder às exigências sauditas enfraquece a posição dos EUA nas negociações com o Irã e lembra que o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, declarou em 2018 que o país buscaria armas nucleares caso o Irã o fizesse.

Roberto Goulart Menezes, professor de relações internacionais da UnB, destaca que, embora a Arábia Saudita seja signatária do Acordo de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), a parceria com os EUA envia um sinal ambíguo no Oriente Médio. Historicamente, os EUA, juntamente com a União Soviética, buscaram conter a proliferação nuclear. O acordo também difere da política nuclear americana em relação à Coreia do Sul, que busca há décadas autorização para enriquecer urânio e opera 26 reatores, enquanto os EUA negam essa prerrogativa a Seul. Choe Sang-Hun, correspondente do The New York Times, aponta para um claro duplo padrão.

Discussões sobre um acordo nuclear pacífico entre EUA e Arábia Saudita datam de 2008, mas progresso significativo foi lento devido a divergências sobre não proliferação, incluindo o Protocolo Adicional e restrições ao enriquecimento. A situação mudou com o segundo mandato de Donald Trump, culminando em uma declaração conjunta em novembro do ano passado. O anúncio do acordo ocorreu em meio à escalada de conflitos no Oriente Médio, dias após ataques de houthis no Mar Vermelho afetarem a navegação saudita.

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