Especialistas debatem impactos de data centers no Brasil
A expansão de data centers no Brasil exige um planejamento rigoroso, transparência e diretrizes que assegurem benefícios reais ao país, minimizando impactos socioambientais. A avaliação foi discutida por pesquisadores durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói, no Rio de Janeiro.
Os professores Mauro Oliveira, do Instituto Federal do Ceará (IFCE), e Dan Levy, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), defendem a necessidade de políticas públicas e maior participação da comunidade científica na instalação desses centros. Mauro Oliveira alertou sobre o risco de repetição de uma lógica histórica de exploração de recursos sem retorno ao desenvolvimento nacional, citando um projeto no Ceará que demandará 300 megawatts de energia, volume capaz de abastecer milhões de pessoas.
Sob a ótica do direito ambiental, Dan Levy destacou que a transição digital e a ecológica devem ser integradas. Ele apontou riscos como poluição sonora, conflitos territoriais e desigualdades sociais, denunciando o que chamou de colonialismo digital, no qual o Sul Global cede recursos naturais para sustentar a infraestrutura de empresas do Norte Global. O pesquisador reforça que as comunidades afetadas devem ter voz ativa nas decisões de implantação desses empreendimentos.

