Nicarágua adia reforma constitucional que bloqueia oposição política
O governo da Nicarágua adiou para setembro a votação da reforma constitucional que visa excluir a oposição das eleições nacionais. O anúncio foi realizado na segunda-feira (27) pela copresidente Rosario Murillo, esposa do presidente Daniel Ortega, informando que um processo de consulta pública ocorrerá durante todo o mês de agosto.
A proposta, apresentada ao corpo diplomático em Manágua na terça-feira (28), faz parte de uma estratégia articulada pelo partido no poder. O presidente do parlamento, Gustavo Porras, declarou que o objetivo é eliminar brechas legais para impedir o que classificou como interferências estrangeiras no processo eleitoral. Daniel Ortega, que governa o país com sucessivas reeleições questionadas desde 2006, chegou a declarar anteriormente que não haveria mais eleições na Nicarágua.
A medida é justificada pelo governo como uma forma de evitar que a oposição, classificada por Ortega como submissa aos interesses norte-americanos, retome o controle do Estado. O cenário político atual reflete o endurecimento do regime desde a ascensão de Rosario Murillo ao cargo de copresidente em fevereiro de 2025, consolidando o controle sobre as instituições e o sistema eleitoral do país.

