China e EUA disputam futuro da IA com iniciativas distintas
China e Estados Unidos lideram abordagens divergentes para moldar o futuro da Inteligência Artificial (IA), uma tecnologia crucial para o desenvolvimento econômico e social. Enquanto os EUA promovem uma rede de “parceiros confiáveis” para controlar cadeias de suprimentos de semicondutores, minerais críticos e energia, Pequim propõe a participação de todas as nações na governança da IA por meio de sistemas de código aberto.
A iniciativa americana, lançada em dezembro de 2025 sob o governo Donald Trump, batizada de Pax Silica, inicialmente contava com Japão, Israel, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, Singapura, Países Baixos e Austrália. Atualmente, a Pax Silica agrupa 23 países e a União Europeia, tendo incorporado recentemente Argentina, El Salvador, Chile, Costa Rica e Panamá, além de Índia, Catar e Filipinas. O objetivo é coordenar uma ordem econômica duradoura que sustente a prosperidade impulsionada pela IA nos países parceiros, garantindo segurança no acesso a insumos, abordando vulnerabilidades e explorando investimentos conjuntos.
Ettore Arpini, especialista em governança de IA e fundador da Plures, critica a Pax Silica por favorecer um grupo restrito de aliados, deixando o restante do mundo em desvantagem e com riscos de dependência. Em contrapartida, a China lançou em julho deste ano a Organização Mundial de Cooperação em IA (Waico), sediada em Xangai e aberta a todos os países, com 29 nações signatárias, incluindo o Brasil, Rússia, Indonésia e África do Sul. A Waico defende o desenvolvimento de IA de código aberto, permitindo o uso livre e a modificação da tecnologia por qualquer entidade, contrastando com modelos de código fechado de empresas como OpenAI, Anthropic e Google.
Sérgio Amadeu da Silveira, professor da UFABC e especialista em tecnologia, sugere que a iniciativa chinesa pode beneficiar países que ainda não desenvolveram IA de ponta, mas alerta para a necessidade de o Brasil construir sua própria infraestrutura local. O discurso de lançamento da Waico, com a participação do presidente Xi Jinping, enfatizou a importância da cooperação global e alertou que a segurança nacional de um país não deve ser alcançada em detrimento da segurança de outros. Arpini e Amadeu apontam que o interesse chinês na Waico é tanto geopolítico quanto comercial, visando a oferta de infraestrutura para a adoção de IA de código aberto.

