Grande Muralha Verde: 1,66 milhão de hectares em restauração no Sahel
Um total de 1,66 milhão de hectares estão sendo restaurados na região do Sahel, na África, uma área que se estende entre o deserto do Saara e a savana do Sudão. Este marco representa a principal conquista da iniciativa Acelerador da Grande Muralha Verde, que celebrou cinco anos de existência e apresentou um relatório detalhado nesta semana pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD).
O balanço da iniciativa também destaca outros números significativos, como o sequestro ou mitigação de 24 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, a criação de 4,6 milhões de empregos e o impacto direto em 46 milhões de pessoas. Segundo a UNCCD, o esforço engloba um conjunto de paisagens recuperadas, áreas agrícolas, sistemas hídricos e comunidades, com o objetivo de unir a recuperação de terras à segurança alimentar, geração de oportunidades econômicas, acesso à energia limpa e aumento da resiliência contra as mudanças climáticas e a seca.
A Grande Muralha Verde, criada em 2007 pela União Africana e pela UNCCD, atualmente abrange 11 países fundadores em uma extensão de 156 milhões de hectares, do oeste do Senegal ao Chifre da África. O programa “Acelerador”, lançado em 2021, visa aprimorar a coordenação da iniciativa, monitorar recursos financeiros e auxiliar os países na medição dos resultados das ações de restauração.
Apesar dos avanços, o relatório aponta limitações consideráveis no acompanhamento dos resultados. O Observatório da Grande Muralha Verde, que monitora mais de 389 projetos, indica que menos de 90 deles apresentam dados consistentes com os indicadores harmonizados adotados pela iniciativa. A UNCCD considera os resultados como iniciais, pois os processos de restauração de terras demandam anos ou décadas para atingir seus plenos efeitos, e o levantamento completo de todos os projetos ainda está em andamento.
Para combater a fragmentação das informações, foi estabelecido em 2024 o Observatório da Grande Muralha Verde em Ouagadougou, Burkina Faso. Esta plataforma centraliza dados sobre projetos, financiamentos, resultados e informações geoespaciais, com o endosso de dez dos onze países fundadores. Coalizões nacionais foram formadas em nove países, unindo ministérios, sociedade civil, universidades, o setor privado e a mídia para otimizar a coordenação e converter compromissos financeiros em ações concretas.
O Acelerador, lançado após a Cúpula One Planet em 2021 com mais de US$ 19 bilhões em compromissos financeiros, funciona como uma estrutura para coordenar esforços, monitorar recursos e fortalecer a capacidade dos países em demonstrar os resultados. Contudo, o relatório alerta para a persistente distância entre os compromissos e os resultados efetivos, citando dificuldades de coordenação e o tempo necessário para a conversão de recursos em ações territoriais.
As próximas etapas da iniciativa focarão em comunicação aprimorada, mecanismos financeiros inovadores e gestão transfronteiriça de terras e águas, explorando possibilidades como títulos verdes, créditos de carbono e financiamento combinado. A dimensão social da restauração também será ampliada, com destaque para iniciativas de geração de renda para mulheres, capacitação de jovens e fortalecimento de empreendimentos locais, como exemplos de sucesso no Mali e no Chade com cooperativas agrícolas e energia solar.
Seca, degradação da terra e restauração de solos serão temas centrais na 17ª Conferência das Partes (COP17) sobre Desertificação, programada para ocorrer entre 17 e 28 de agosto em Ulaanbatar, Mongólia. A Agência Brasil cobrirá o evento diretamente do país asiático em parceria com a UNCCD.

