Rio: 34 tiroteios por facções em julho
As disputas entre grupos armados se intensificaram em julho na região metropolitana do Rio de Janeiro. Ao menos 34 tiroteios foram motivados por conflitos entre facções criminosas e milícias. O número indica, em média, um tiroteio por dia envolvendo diferentes grupos armados, o que deixou 29 pessoas baleadas.
Este número é o maior registrado no ano e dobrou em relação a junho, quando ocorreram 16 tiroteios. Os bairros de Cordovil, Brás de Pina e Vigário Geral vivenciaram 12 dias seguidos de disputas, de acordo com o relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado. A população carioca convive há décadas com o domínio de grupos armados e os impactos dessas disputas, que chegam à média de um tiroteio por dia por território.
Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio, destaca que essas disputas afetam direta e indiretamente a vida dos moradores, seja com vítimas de balas perdidas ou com o impacto em serviços básicos como saúde, transporte e educação. As operações policiais também chamaram a atenção, com 92 dos 196 tiroteios totais em julho motivados por ações policiais, totalizando 47% dos casos. Estas ocorrências deixaram 85 pessoas baleadas, sendo 32 mortas e 53 feridas, um aumento de 39% em relação a julho de 2025.
Em 28 de julho, a Avenida Brasil foi palco de violência armada após uma perseguição policial que resultou em uma chacina com cinco mortos, incluindo o policial militar Fernando Plácido Roberto Rocha, de 38 anos. Quatro criminosos envolvidos no tiroteio com dois policiais militares do Batalhão de Policiamento em Vias Especiais morreram em confronto com militares do Batalhão de Choque. Os dados do Instituto Fogo Cruzado indicam que, em média, duas pessoas são baleadas por dia durante ações policiais. As 85 vítimas representam 59% do total de baleados em julho: 143 vítimas, das quais 67 morreram e 76 ficaram feridas.
Apesar do alto impacto das ações policiais, o número de vítimas de assaltos ou tentativas de assalto permaneceu estável, com 20 pessoas baleadas, próximo às 21 registradas em julho de 2025. Houve ainda sete agentes de segurança baleados na região metropolitana, com três mortes. Cinco agentes em serviço foram as principais vítimas.

