Milhares de casos de Ebola e quase 3 mil mortos na RDCongo
A epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDCongo) já ultrapassou os 6 mil casos e causou 2.911 mortes. A propagação é considerada a mais rápida já registrada. As informações foram divulgadas pelas autoridades da nação vizinha de Angola.
Autoridades congolesas também informaram que mais de 1.360 pessoas se recuperaram da doença, um número considerado encorajador pela evolução. A epidemia no leste do país avança em condições extremamente difíceis, agravada pela insegurança, deslocamentos populacionais, greve de profissionais de saúde e intensos movimentos de pessoas. A situação é especialmente preocupante em locais que abrigam deslocados, onde os moradores já vivem em condições precárias.
Na semana passada, o vírus atingiu duas novas áreas sanitárias na região. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que a epidemia continua fora de controle e pode superar o surto de ebola de 2014-2016 na África Ocidental, que registrou mais de 11 mil mortos. No sábado (29), uma equipe de resposta ao ebola foi atacada nos arredores da cidade de Mambasa, na província de Ituri, por jovens armados que invadiram o local de um funeral. Um membro da equipe foi ferido.
A epidemia é causada pelo vírus Bundibugyo, um tipo raro de ebola sem vacina ou tratamento aprovado. Embora a RDCongo tenha iniciado a vacinação de profissionais de saúde com a vacina Ervebo, eficaz contra o tipo Zaire, ensaios clínicos para uma vacina contra o Bundibugyo estão em andamento. A atual epidemia, a 17ª no país, foi declarada em meados de maio, mas acredita-se que o vírus já circulava desde fevereiro, espalhando-se de três para quase 60 zonas sanitárias.
A maioria dos casos e mortes ocorreu fora da rede de contatos monitorados e dentro das comunidades. Medidas de controle, como a limitação de reuniões e o fechamento de aeroportos, afetaram a vida em seis províncias, especialmente em Ituri, atingida pela violência de grupos rebeldes. Grupos de direitos humanos pedem mais ações do governo para ganhar a confiança das comunidades. A OMS alertou que, apesar de Uganda ter se declarado livre de ebola, o risco de propagação transfronteiriça persiste.

