Brasil tem melhora no Pisa, mas desempenho escolar segue baixo
Apesar de uma redução na distância entre o desempenho de estudantes brasileiros e a média de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no Pisa 2025, especialistas apontam que essa aproximação ocorreu majoritariamente pela queda no desempenho dos países da OCDE, especialmente nos últimos anos, enquanto o Brasil manteve-se relativamente estável.
O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), coordenado pela OCDE, avalia anualmente estudantes de 15 anos em matemática, leitura e ciências. Rodrigo Fulgêncio, 1º vice-presidente da Abraspe, destaca que o Brasil melhorou no longo prazo em ciências e leitura, mas a convergência observada se deu também pela queda da média da OCDE, principalmente em matemática.
Com os resultados de 2025, o Brasil registrou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências, permanecendo abaixo da média de 23 países da OCDE nessas áreas. A diferença em matemática, por exemplo, equivale a aproximadamente 4,6 anos de atraso escolar. No entanto, a distância em relação a 2006 diminuiu significativamente em todas as disciplinas.
Jalman Lima, gerente da CASIO Educação, considera positivo que o Brasil não tenha acompanhado a queda observada em outros países, mas ressalta que o patamar de desempenho continua muito baixo. Apenas 28% dos estudantes atingiram o nível mínimo esperado em matemática. Felipe Proto adiciona que a recomposição das aprendizagens é fundamental, considerando o impacto da pandemia e as desigualdades socioeconômicas.
O desafio não se limita ao domínio básico, mas também ao desenvolvimento de raciocínios mais sofisticados. Muitos estudantes ainda enfrentam dificuldades em interpretar situações, decidir qual conhecimento aplicar e poucos alcançam os níveis mais altos de proficiência. A desigualdade também é um fator crítico, com uma diferença de 96 pontos entre os estudantes mais e menos favorecidos em ciências.
O Pisa 2025 envolveu 760 mil estudantes de 91 países, sendo 30.140 brasileiros. A pesquisa apontou um aumento significativo na restrição ao uso de celulares em sala de aula, com 81% dos estudantes brasileiros em escolas com tais regras, ante 37% em 2022. A OCDE também identificou fragilidades crescentes na capacidade de avaliar informações e pensar criticamente.
Um dado preocupante é o aumento da ‘leitura apressada’ e a dificuldade em avaliar informações e relacionar fontes. Quase 28% dos estudantes relataram distrações com dispositivos digitais e 46% utilizam Inteligência Artificial semanalmente para estudar. Rodrigo Fulgêncio alerta que o desafio é ajudar os estudantes a sustentar a atenção, ler com profundidade e usar a tecnologia para ampliar o pensamento, e não substituí-lo.

