Presidente Pezeshkian na ONU aborda paz e tensões com EUA
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou hoje (23), em Nova York, que a paz com os Estados Unidos (EUA) “não virá do campo de batalha”. Ele também afirmou que Teerã não permitirá que o Estreito de Ormuz seja usado para “impor a insegurança na região”.
Na assembleia geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Pezeshkian reiterou que o Irã não tolerará o uso do estreito para agressões. O líder iraniano condenou o bloqueio naval imposto pelos EUA à República Islâmica, usado como retaliação à interrupção da navegação comercial aplicada por Teerã há mais de seis meses no Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, acusou os Estados Unidos de utilizarem “mísseis e tecnologias letais para semear a insegurança em todas as áreas que fazem fronteira com essa via navegável”.
O presidente iraniano enfatizou que o Irã “nunca foi um agressor, nunca iniciou uma guerra”, observando que, pelo contrário, seu povo é “vítima do terrorismo” e de “ataques covardes” dos Estados Unidos. Essa declaração foi feita um dia após o presidente norte-americano, Donald Trump, ter ameaçado “aniquilar” a República Islâmica.
Durante o discurso, o único representante da delegação norte-americana presente na sessão abandonou a sala quando o líder iraniano acusou Washington de terrorismo. Pezeshkian exibiu fotografias de Ali Khamenei e de mais de 150 crianças em idade escolar mortas nos primeiros dias da guerra, que continua sem fim à vista depois do colapso das negociações indiretas realizadas em junho.
Nessa terça-feira, o presidente Donald Trump havia confirmado a realização de uma reunião à margem da assembleia geral da ONU entre representantes de Washington e Teerã, mas sem avançar detalhes. No mesmo dia, em discurso na sessão de líderes na ONU, Trump afirmou que tinha de escolher entre “aniquilar” o Irã ou chegar a um acordo, prevendo que uma solução diplomática apenas poderia ser encontrada após as eleições intercalares para o Congresso norte-americano, previstas para o início de novembro.
Em resposta direta às ameaças, Masoud Pezeshkian reafirmou hoje que Teerã não se deixará intimidar pelas palavras do líder da Casa Branca.

