Lula critica guerras e defende multilateralismo em Barcelona
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou veementemente as guerras em curso e defendeu o fortalecimento do multilateralismo durante um discurso em Barcelona, na Espanha, neste sábado (18). Sua fala ocorreu durante a quarta reunião de alto nível do Fórum de Defesa da Democracia, onde o presidente destacou que as populações mais vulneráveis arcam com as consequências dos conflitos armados.
Em sua manifestação, Lula ressaltou que os países enfrentam outros desafios urgentes e que o mundo “não está precisando de guerra”. Ele citou a fome que afeta mais de 760 milhões de pessoas, milhões de analfabetos e as mortes evitáveis por falta de vacina contra a Covid-19, frisando que o momento atual registra o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial.
O presidente brasileiro criticou conflitos como a invasão da Ucrânia pela Rússia, a destruição da Faixa de Gaza por Israel e a atuação dos Estados Unidos contra o Irã. Lula argumentou que nenhum líder tem o direito de impor regras a outros países e criticou a atuação dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, que tomam decisões sem consultar a organização. Ele pediu ação coordenada da Organização das Nações Unidas (ONU).
Lula lamentou o silêncio internacional diante dos conflitos e enfatizou que a democracia nas Nações Unidas depende do engajamento dos países, declarando que “fortalecer o multilateralismo depende de nós”. O presidente também criticou o papel das plataformas digitais na desestabilização política e solicitou que a própria ONU lidere discussões sobre regras compartilhadas entre as nações.
O Fórum Democracia Sempre, iniciativa lançada em 2024 pelos governos de Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai, contou com a presença de líderes como Pedro Sánchez (Espanha), Yamandú Orsi (Uruguai), Gustavo Petro (Colômbia), Ciyril Ramaphosa (África do Sul), Claudia Sheinbaum (México) e Gabriel Boric (ex-presidente do Chile). Após a Espanha, Lula seguirá para a Alemanha e depois para Portugal.
