Tartarugas marinhas em Arraial do Cabo: estudo revela origem
Uma pesquisa em andamento na Reserva Extrativista Marinha do Arraial do Cabo, no litoral do Rio de Janeiro, busca desvendar a origem das tartarugas marinhas que habitam a região. A iniciativa, parte do Projeto Costão Rochoso, monitora a saúde desses animais e coleta dados científicos para sua preservação e recuperação.
O projeto, que conta com a parceria da Petrobras, foca em descobrir de onde vêm as tartarugas que frequentam Arraial do Cabo, área conhecida pela grande concentração de tartarugas-verdes em fase de alimentação. Todas as cinco espécies de tartarugas marinhas encontradas no Brasil estão presentes na região.
Biólogos capturam as tartarugas para realizar exames detalhados, incluindo pesagem, medição e coleta de tecido para análise de DNA. Este procedimento, comparado a uma biópsia, visa identificar a origem das tartarugas e entender a conexão entre áreas de desova e de alimentação. Esses animais passam cerca de dez anos em Arraial do Cabo, podendo permanecer até 25 anos antes de retornar à região de nascimento para reprodução.
O monitoramento abrange as espécies tartaruga-verde e tartaruga-pente em três praias de Arraial do Cabo e na Ilha de Cabo Frio. Além de medidas corporais, pesquisadores utilizam fotografias e softwares para identificar indivíduos, comparando padrões na cabeça das tartarugas com impressões digitais. Desde 2018, aproximadamente 500 indivíduos foram catalogados, com 80 passando por coleta de DNA.
Uma pesquisa paralela investiga a distância mínima de aproximação humana que as tartarugas suportam, simulando aproximações e observando mudanças de comportamento. Os resultados subsidiarão a elaboração de um guia de boas práticas para observação de tartarugas marinhas, aplicável em turismo no Brasil e no mundo. A captura e os procedimentos exigem autorização de órgãos como o ICMBio e o Projeto Tamar, além de formação específica dos profissionais envolvidos.
