Unesco revela importância de sítios para biodiversidade global
Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), divulgado em Paris, ressalta a significativa contribuição de seus sítios protegidos para o meio ambiente e a sociedade global. O documento, intitulado ‘People and Nature in Unesco Sites: Global and Local Contributions’, avalia pela primeira vez a interconexão entre Sítios do Patrimônio Mundial, Reservas da Biosfera e Geoparques Mundiais, que somam mais de 2.260 locais e uma área superior a 13 milhões de quilômetros quadrados.
No Brasil, exemplos notáveis de locais protegidos incluem o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, incluído na lista do Patrimônio Mundial da Unesco em 2024, e o Parque Nacional de Iguaçu, inscrito em 1986. O Parque Nacional de Iguaçu, por exemplo, abriga mais de 2.000 espécies de plantas, 400 de aves e até 80 mamíferos. Já os Lençóis Maranhenses são habitat de quatro espécies ameaçadas: o guará, a lontra-neotropical, o gato-do-mato e o peixe-boi-marinho, além de cerca de 133 espécies de plantas, 112 de aves e 42 de répteis.
O relatório destaca que, enquanto as populações de animais selvagens diminuíram 73% globalmente desde 1970, as encontradas em sítios protegidos pela Unesco permaneceram estáveis. Esses locais abrigam mais de 60% das espécies mapeadas no planeta, com 40% sendo endêmicas. Eles armazenam aproximadamente 240 gigatoneladas de carbono, equivalente a quase duas décadas de emissões globais, e as florestas desses sítios absorvem 15% do carbono capturado por florestas em todo o mundo anualmente.
Apesar de sua importância crucial, quase 90% desses sítios enfrentam altos níveis de estresse ambiental, com riscos climáticos crescendo 40% na última década. O documento alerta que, sem ações robustas, mais de um quarto dos sítios da Unesco podem atingir pontos críticos de ruptura até 2050, com impactos irreversíveis como o desaparecimento de geleiras e o colapso de recifes de coral.
O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, enfatiza que os sítios protegidos geram impactos positivos e são ativos estratégicos para combater a mudança climática e a perda de biodiversidade, sendo um chamado urgente para ampliar a ambição e o investimento na proteção de ecossistemas, culturas e modos de vida. O relatório recomenda a intensificação de ações em quatro pilares: restauração de ecossistemas, promoção do desenvolvimento sustentável com cooperação transfronteiriça, integração dos sítios aos planos climáticos globais e adoção de governança mais inclusiva com povos indígenas e comunidades locais.
