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IA supera velocidade cerebral, alertam especialistas

IA supera velocidade cerebral, alertam especialistas

IA supera velocidade cerebral, alertam especialistas

A inteligência artificial avança em velocidade que o cérebro humano, do ponto de vista fisiológico, não consegue acompanhar. Essa é a avaliação de André Cruz, CEO da Neura e especialista em neurociência e comportamento, que aponta riscos ainda subestimados dos impactos da IA sobre memória, atenção e comportamento.

“O cérebro está bugando”, afirma Cruz. “Nunca tivemos tanto burnout, tanta dúvida do que tem que fazer”. Para ele, o excesso de conexão, de informação e de interações simultâneas cria uma demanda contínua por dopamina que o organismo ainda não aprendeu a regular.

Entre os efeitos mais imediatos, Cruz aponta o déficit de atenção e a “superficialidade cognitiva”: a tendência de o cérebro parar de processar informações com profundidade quando elas chegam prontas e em alta velocidade. A memória de longo prazo também é afetada, já que o acesso fácil a respostas reduz a necessidade biológica de retenção.

Para o futuro, ele vê riscos de manipulação cognitiva e de erosão da identidade individual em cenários de dependência excessiva da tecnologia. No plano social, a expansão das interações com IA pode pressionar a empatia e o senso de pertencimento, dimensões consideradas estruturais na formação humana pela neurociência.

Em resposta a essa realidade, a China tornou obrigatório desde setembro de 2025 o ensino de IA nas escolas primárias e secundárias, com no mínimo oito horas anuais para alunos a partir dos seis anos. Cruz vê nessa decisão uma adaptação ao “inevitável”, pois “uma criança com essa educação entende que aquilo faz parte do seu dia a dia, seu cérebro entende melhor”.

No ambiente corporativo, o medo de perder o emprego para a IA precisa ser substituído por uma cultura organizacional que posicione a tecnologia como ferramenta de apoio, não como substituta. “Não é a IA tirando o humano, mas é o humano trazendo o melhor dele, com a possibilidade do uso de IA”, defende Cruz.

O especialista é favorável às interfaces cérebro-computador, como as desenvolvidas pela Neuralink. Para ele, a tecnologia representa uma oportunidade real de restaurar capacidades físicas e ampliar o potencial humano. “Você pode não andar e ter a liberdade de se movimentar. Como não usar isso?”, questiona. O risco, segundo Cruz, está no acesso desigual: quanto maior o custo, maior a distância entre quem pode e quem não pode se beneficiar.

A neuroplasticidade, capacidade do cérebro de criar novas conexões e hábitos, é o mecanismo que vai determinar como a humanidade atravessa essa transição. “O cérebro vai se adaptar a isso”, afirma Cruz. O que está em aberto é o ritmo e o custo dessa adaptação.

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