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Documento lança análise sobre chacinas na Favela Nova Brasília

Documento lança análise sobre chacinas na Favela Nova Brasília

Documento lança análise sobre chacinas na Favela Nova Brasília

Em memória às chacinas ocorridas na Favela Nova Brasília, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, o Instituto de Estudos da Religião (Iser) e o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil) lançam nesta sexta-feira (8) o sumário executivo do Caso Favela Nova Brasília. As chacinas, que resultaram na morte de 13 pessoas em cada evento, ocorreram em outubro de 1994 e maio de 1995.

A primeira chacina, em 18 de outubro de 1994, vitimou 13 pessoas e teria sido uma represália a um ataque à 21ª DP. Dias depois, policiais civis e militares invadiram a favela, promovendo mortes indiscriminadas. A segunda chacina ocorreu em 8 de maio de 1995, quando 13 pessoas foram mortas em confronto e após se entregarem, com investigações posteriores arquivadas sob a alegação de “resistência à prisão”.

Marcando 31 anos da primeira chacina, as organizações apresentam a análise da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) sobre o caso. O sumário é visto como um manifesto de crítica à política de segurança pública no Rio de Janeiro, marcada pela violência contra periferias negras e pobres e pelo abandono desses territórios.

O relatório destaca 30 anos de luta e luto dos familiares, denunciando a negligência e o descaso com o direito de enlutamento. O documento ressalta a necessidade de curar feridas sociais profundas para a construção de uma sociedade democrática, interrompendo a repetição de práticas violentas.

Lucas Matos, coordenador do Iser, comentou a letalidade policial no Rio, citando a ação mais letal ocorrida em outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, com 122 mortes, configurando um extermínio de população negra e pobre. Ele enfatiza que a sentença da Corte IDH aponta caminhos para o enfrentamento do genocídio em curso.

Matos defende um plano de redução da letalidade policial, com métricas e monitoramento pela sociedade civil, além da garantia de independência e autonomia dos órgãos periciais, retirando-os da estrutura das polícias.

O Iser e o Cejil representam as vítimas e familiares na Corte IDH, buscando o cumprimento da sentença, incluindo responsabilização dos agentes do Estado e reparação individual e coletiva. Helena Rocha, do Cejil, ressalta que a indenização é um dos elementos da reparação, mas não resolve o irreparável, e que a maior parte das indenizações já foi paga, com pendências em casos sucessórios.

A sentença da Corte IDH de 2017 aponta as chacinas como parte de um contexto estrutural de violência policial no Rio de Janeiro, com letalidade distribuída de forma desigual por raça e classe. Investigações internas não foram capazes de identificar e responsabilizar agentes do Estado ou garantir reparação adequada.

A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro informa que as forças policiais atuam na integração e combate ao crime, priorizando a preservação de vidas. Dados do Instituto de Segurança Pública indicam queda em crimes contra a vida no primeiro trimestre, com redução de 11% nos homicídios dolosos e 10,2% na letalidade violenta.

As mortes por intervenção de agente do Estado reduziram 6,8%, e o número de fuzis apreendidos aumentou 11,6%, totalizando 211 em 2026. Esses resultados são reflexo do trabalho policial no enfrentamento às organizações criminosas.

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