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Juros altos e spreads bancários elevam endividamento familiar no Brasil

Juros altos e spreads bancários elevam endividamento familiar no Brasil

Juros altos e spreads bancários elevam endividamento familiar no Brasil

A combinação de altas taxas de juros, exemplificada pela taxa Selic, e os elevados spreads bancários praticados pelas instituições financeiras no Brasil tem intensificado o endividamento das famílias. Em resposta a este cenário, o governo lançou o programa Novo Desenrola.

O spread bancário, que representa a diferença entre o custo do dinheiro para os bancos e o que eles cobram dos clientes, atingiu 34,6 pontos percentuais em março, um aumento em relação aos 29,7 p.p. registrados no mesmo mês de 2025. Para comparação, o Banco Mundial estima a média global de spread em cerca de 6 p.p.

Especialistas como Maria Lourdes Mollo, professora de economia da Universidade de Brasília (UnB), explicam que a Selic definida pelo Banco Central influencia diretamente os juros cobrados dos consumidores. Ela também aponta a precarização do mercado de trabalho, agravada pela reforma trabalhista de 2017, como fator que leva muitos a se endividarem para cobrir despesas básicas.

O Novo Desenrola visa aliviar o orçamento das famílias e, potencialmente, estimular a economia. O Brasil figura com a segunda maior taxa básica de juros real do mundo, descontada a inflação, com 9,3%, atrás apenas da Rússia (9,6%). O México aparece em terceiro lugar com 5,0%.

A recente redução de 0,25 p.p. na taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) levou a taxa para 14,5% ao ano. Embora o Banco Central argumente que essa taxa é essencial para o controle da inflação, críticos a consideram excessivamente alta.

Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indica que, em abril, 80% das famílias brasileiras possuíam dívidas, atingindo um recorde histórico. Deste total, 29,7% estavam inadimplentes, com contas em atraso.

Juliane Furno, professora de economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), relaciona o endividamento a esses altos spreads bancários. Ela destaca que o Brasil frequentemente lidera rankings de spread, com os bancos justificando o valor pela alta inadimplência, enquanto a própria inadimplência pode ser consequência dos juros elevados.

Dados de 2024 compilados pela World Open Data colocam o Brasil no topo do ranking de spreads bancários, superando países como República Tcheca e Moçambique. Segundo o Banco Central, em março, os bancos cobravam juros médios de 61% ao ano de pessoas físicas, contra 24% de empresas.

Maria Mello de Malta, economista da UFRJ, reforça que a elevada taxa básica de juros brasileira incentiva os bancos a aumentarem suas cobranças. Ela descreve a situação como uma “bola de neve”, onde famílias trabalhadoras buscam novas dívidas para quitar as anteriores, aprofundando seu endividamento.

As taxas mais altas no Brasil são encontradas no crédito rotativo do cartão de crédito, podendo ultrapassar 400% ao ano. O Novo Desenrola Brasil, lançado pelo governo federal, tem como objetivo auxiliar famílias, estudantes e pequenos empreendedores a renegociarem suas dívidas e recuperarem o acesso ao crédito. A iniciativa prevê descontos de até 90%, juros reduzidos e a possibilidade de utilização do FGTS para quitação de débitos, com duração de 90 dias.

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