Ford e a histórica jornada de quarenta horas semanais
Em maio de 1926, há exatos 100 anos, a Ford adotou a jornada de 40 horas semanais, consolidando o modelo fordista. Até então, a média nos Estados Unidos era de 60 horas semanais, caindo para 50 horas na década de 1920. A mudança oficial na legislação americana ocorreu apenas em 1940, através da Fair Labor Standards Act, que estabeleceu o padrão de 40 horas com pagamento de 50% de adicional para horas extras.
A decisão de Henry Ford visava atrair talentos e aumentar a produtividade, estimulando o consumo através do lazer. Contudo, o professor Antonio Luigi Negro, da UFBA, destaca que a medida foi resposta a décadas de lutas sindicais. Com o lema de oito horas para trabalho, descanso e lazer, trabalhadores organizaram greves constantes, como a do aço de 1919, pressionando por melhores condições de vida.
Atualmente, o mercado americano apresenta uma média de 34,3 horas semanais. Em paralelo, o governo brasileiro articula, junto à Câmara dos Deputados, o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas semanais. A proposta de emenda à Constituição está em tramitação e tem votação prevista na Comissão Especial para o dia 27 de maio.
