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Nobel chinês Mo Yan discute literatura e suas origens rurais

Nobel chinês Mo Yan discute literatura e suas origens rurais

Nobel chinês Mo Yan discute literatura e suas origens rurais

A literatura de qualidade não se define por floreios ou vocabulário rebuscado, mas sim pela capacidade de evocar aromas e, frequentemente, de inserir elementos naturais como rios em harmonia com as personagens, de acordo com o escritor chinês Mo Yan, laureado com o Nobel de Literatura.

Mo Yan, cujo nome de batismo é Guan Moye e significa “não falar”, revelou em sua palestra na abertura do Fórum Unesp 50 anos, organizado pela Editora da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que adotou este pseudônimo para se distanciar da percepção alheia sobre seu comportamento e preservar sua riqueza interior, fundamental para sua obra.

Nascido em 1955 em uma família de agricultores na aldeia de Ping’an, Gaomi, província de Shandong, Mo Yan encontra satisfação em ambientar suas narrativas em cenários rurais. Ele vê os rios como metáforas para a passagem do tempo e para os sentimentos dos personagens, citando “muitos exemplos de obras grandiosas com referências a rios”.

Influenciado por romancistas como William Faulkner e Gabriel García Márquez, ambos ganhadores do Nobel, Mo Yan destaca a importância da oralidade em sua obra. Ele mencionou a tradição literária de sua região natal, que mescla produções de indivíduos letrados com o teatro popular, onde agricultores encenavam personagens como generais, transmitindo mensagens sobre autoridade e disciplina.

O autor ressaltou que elementos aparentemente fantásticos em uma obra literária encontram, em sua perspectiva, um correlato na realidade concreta, reforçando que “toda tradição folclórica tem a ver com a nossa vida”.

A literatura chinesa contemporânea, embora ainda pouco difundida no Brasil, conta com obras como “As Rãs” e “Mudança”. Mo Yan integra uma coletânea publicada pela Fundação Editora Unesp, que apresenta também outros nove autores chineses renomados.

O Fórum Unesp 50 anos, que se estende até o dia 15, conta com a participação de renomados especialistas e autores brasileiros, como Milton Hatoum, Ailton Krenak e Ana Maria Machado.

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