Home / últimas noticias / China demonstra paciência histórica em negociação com a FIFA

China demonstra paciência histórica em negociação com a FIFA

China demonstra paciência histórica em negociação com a FIFA

China demonstra paciência histórica em negociação com a FIFA

Em meados dos anos 40, Tanzânia e Zâmbia, então sem suas denominações atuais, apresentaram um audacioso projeto para conectar a África Central à costa leste por meio de ferrovias. A proposta enfrentava desafios monumentais, como paisagens inóspitas, rios, quedas d’água, a necessidade de inúmeras pontes, grande força de trabalho e investimentos bilionários, além da incerteza sobre o retorno financeiro.

Após um período de observação e análise silenciosa, a China decidiu investir no projeto. Em 1967, Mao Tsé-Tung selou em Pequim o acordo para a construção da ferrovia Tazara com os líderes da Tanzânia e Gâmbia. Instituições como o Banco Mundial e o Ocidente, que haviam negado apoio, demonstraram surpresa e descrença.

A construção demandou anos de trabalho árduo e investimento financeiro, resultando em 320 pontes e 22 túneis. Em 1976, quase uma década após o início, o trem finalmente cruzou o continente africano. Apesar da magnitude da obra, o Ocidente manteve seu ceticismo quanto à viabilidade econômica do projeto, prevendo que o ‘trenzinho chinês’ jamais se pagaria.

A China, por outro lado, demonstrou uma visão de longo prazo, compreendendo o valor da paciência e do tempo como ferramentas estratégicas. Essa mesma filosofia se reflete na resposta atribuída a Zhou Enlai, que, em 1972, ao ser questionado sobre os eventos de maio de 1968, declarou ser cedo demais para avaliar seus desdobramentos históricos, comparando a paciência chinesa à da Revolução Francesa.

Essa abordagem parece não ter sido compreendida por Gianni Infantino, mandatário da FIFA, nas negociações com a China pelos direitos de transmissão da próxima Copa do Mundo. Inicialmente, exigiu US$ 300 milhões, proposta que foi recebida com silêncio e risadas pela parte chinesa.

Diante da falta de resposta e com um mercado de mais de um bilhão de pessoas em jogo, Infantino reduziu a oferta para US$ 120 milhões, uma demonstração de aparente desespero que pode gerar insatisfação entre patrocinadores da FIFA. A China, mantendo a calma, argumentou que a Copa do Mundo, com jogos em horários inconvenientes na China e formato ampliado para 48 seleções, não justifica o valor pleiteado, sugerindo ofertas entre US$ 60 e US$ 80 milhões.

Com a Copa do Mundo a apenas um mês de distância, a China demonstra uma paciência inabalável, baseada na crença de que a persistência dilui a resistência, assim como a água perfura a pedra. A FIFA, por meio de Infantino, encontra-se em posição de vulnerabilidade, evidenciando a necessidade de um maior estudo sobre a história e as estratégias de negociação chinesas.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *