Congresso debate doação de leite humano para bebês prematuros
A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano da Fundação Oswaldo Cruz (rBLH-BR/Fiocruz) promove o I Congresso da Rede Global de Bancos de Leite Humano no Rio de Janeiro. O evento celebra os 15 anos do Dia Mundial de Doação de Leite Humano e discute os avanços, desafios e perspectivas da mobilização mundial para incentivar a doação de leite humano, essencial para recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados. O Brasil conta com mais de 230 bancos de leite humano.
Danielle Aparecida da Silva, coordenadora da rBLH e do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), destaca que o principal desafio é sensibilizar lactantes a doar o excesso de leite. “O banco de leite humano é um serviço de saúde para toda a sociedade, que apoia as mulheres a amamentarem e coleta a produção excedente. O leite humano doado passa por um processamento e controle de qualidade e é direcionado a recém-nascidos prematuros e de baixo peso ao nascer.”
“Só que a gente ainda não alcança o volume suficiente para atender 100% desses bebês. Porque, muitas vezes, essa doação é flutuante ao longo do ano. Após o mês de maio, quando a gente consegue sensibilizar mais a sociedade, a doação cai muito”, explica, citando que a baixa ocorre principalmente em períodos de férias e festas de fim de ano. O Banco de Leite do Instituto Fernandes Figueira registra, em alguns meses, entre 100 e 150 doadoras que produzem uma média de 100 a 150 litros por mês.
Danielle Aparecida da Silva ressalta que o leite doado é um recurso terapêutico para bebês, atuando na imunidade e desenvolvimento. A doação de leite humano registrou um aumento de 8%, mas a coordenadora considera o crescimento ineficiente. O Distrito Federal alcançou autossuficiência, assim como Rio Grande do Sul e Santa Catarina. As regiões Norte e Nordeste enfrentam maiores dificuldades, com a maioria dos estados possuindo apenas um banco de leite, à exceção de Amazonas e Pará.
No Rio de Janeiro, a rede possui 17 bancos de leite humano. Danielle Aparecida da Silva informa que as doações permaneceram estáveis e, em alguns meses, até diminuíram. Um avanço significativo ocorreu durante a epidemia de covid-19, com o distanciamento geográfico, levando a rede a se reinventar e promover a escolha de slogans para o Dia Mundial de Doação de Leite Humano por meio de edital aberto à sociedade.
O Brasil, liderado pela Fiocruz há 40 anos, desenvolve soluções inovadoras para bancos de leite humano, construindo a maior e mais complexa Rede de Bancos de Leite Humano do mundo. A atuação brasileira é reconhecida internacionalmente, com a Fiocruz abrigando o único Centro Colaborador da Opas/OMS para Bancos de Leite Humano (BRA-87) em escala mundial. A primeira comemoração do Dia Nacional de Doação de Leite Humano ocorreu em 2004, e a data de 19 de maio foi escolhida como Dia Mundial de Doação de Leite Humano em 2010.
Temas como os impactos da pandemia, emergências sanitárias, crises humanitárias e o fortalecimento de respostas globais alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o ODS 3 (Saúde e Bem-estar), serão debatidos. O congresso reunirá especialistas, gestores públicos, organismos internacionais, pesquisadores e representantes da sociedade civil de diversos países, promovendo articulação e cooperação internacional. O evento ocorrerá de forma híbrida no Hotel Windsor Guanabara, no Rio de Janeiro.
