Documentos inéditos revelam estrutura clandestina da ditadura militar
Documentos inéditos do arquivo do coronel Cyro Guedes Etchegoyen, figura central da inteligência do Exército durante a ditadura militar, expõem o funcionamento da estrutura clandestina de repressão no Brasil. O material, que compõe a base do documentário Bandidos de Farda, revela os bastidores do período mais violento do regime, incluindo manuais de tortura, relatórios secretos e registros de monitoramento político.
A investigação, conduzida pela jornalista Juliana Dal Piva, detalha como o coronel Cyro Etchegoyen, chefe da contrainformação do Centro de Informações do Exército entre 1969 e 1974, atuou na profissionalização dos métodos repressivos. Os documentos conectam o militar à Casa da Morte, centro clandestino em Petrópolis onde ocorreram torturas, execuções e desaparecimentos forçados.
A produção destaca que a repressão não se limitou a excessos isolados, mas a uma máquina estatal organizada para perseguir, sequestrar e eliminar opositores. Além disso, o documentário denuncia o uso da violência sexual como instrumento de terror e humilhação. O relator da ONU, Bernard Duhaime, reforçou que tais revelações justificam a reabertura de investigações sobre crimes cometidos por militares brasileiros no período.
