Plataformas de jogos online como incubadoras de cibercrimes
Plataformas de jogos online e redes sociais como Discord e Roblox têm se tornado ambientes propícios para que jovens iniciem práticas de cibercrimes. O alerta parte de Sérgio Luiz Oliveira do Santos, delegado de repressão a crimes cibernéticos de Pernambuco e pesquisador de cibersegurança no Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR).
O ambiente dos jogos facilita a monetização ilegal através da venda de itens virtuais e habilidades. Segundo o usuário Bruno Vilela, de 30 anos, a troca de skins e acessórios de alto valor comercial dentro de títulos como Counter Strike estimula usuários a aprenderem táticas de hackeamento de contas e programação maliciosa para obter vantagem financeira.
Sérgio Luiz Oliveira do Santos explica que existe uma escalada criminosa comum: o usuário começa tentando trapacear no jogo, passa pela pirataria e monetização indevida, até atingir fraudes bancárias complexas com PIX, boletos e criptomoedas. O perfil predominante dos infratores é de homens, entre 18 e 30 anos, que frequentemente utilizam kits de phishing prontos adquiridos em fóruns clandestinos.
Apesar da familiaridade digital, muitos jovens infratores falham em esconder rastros, como endereços IP ou ostentação de bens em redes sociais. Dados apontam que o Brasil possui um mercado de games expressivo, com 51,6 milhões de contas no Discord em 2026. Com a Pesquisa Game Brasil 2025 indicando que 82% dos jovens de 16 a 30 anos veem os games como sua principal plataforma de entretenimento, o delegado reforça que o controle parental é decisivo para evitar que a linha entre a trapaça e o crime se torne indistinta.
