Operação Compliance Zero completa seis meses de investigações
A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, completa seis meses nesta segunda-feira (18). O inquérito apura uma fraude bilionária contra o Sistema Financeiro Nacional, possivelmente a maior da história do Brasil, com prejuízos estimados em dezenas de bilhões de dólares. As investigações, iniciadas no início de 2024 a pedido do Ministério Público Federal, revelaram uma rede de conexões entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e agentes públicos de alto escalão, incluindo servidores do Banco Central e da própria Polícia Federal.
Ao longo de seis fases, o Supremo Tribunal Federal decretou 21 prisões e 116 mandados de busca e apreensão, resultando no bloqueio de aproximadamente R$ 27,71 bilhões. O esquema envolvia a fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro, vendidas ao Banco de Brasília (BRB). Em decorrência do caso, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do conglomerado Master, incluindo o Banco Master de Investimento, Letsbank, Master Corretora, Will Financeira e Banco Pleno, sendo que o Fundo Garantidor de Créditos precisou desembolsar R$ 49,5 bilhões para ressarcir clientes.
As ramificações da investigação atingiram nomes como o senador Ciro Nogueira, suspeito de receber propina mensal em troca de atuação parlamentar, e o senador Flávio Bolsonaro, investigado pelo uso de recursos do banco em um projeto cinematográfico. Diversas prisões de alto nível ocorreram, incluindo a de Daniel Vorcaro e de seu pai, Henrique Vorcaro, além de ex-executivos do BRB. A Polícia Federal também desarticulou o que classificou como uma milícia pessoal do banqueiro, denominada A Turma, sob liderança de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário.
