Brasil defende soberania tecnológica através de inteligência artificial aberta
O Brasil enfrenta o risco de dependência tecnológica estrangeira caso não invista em modelos nacionais de inteligência artificial. O alerta foi emitido por Ronaldo Lemos, membro do Conselho de Supervisão da Meta e especialista em direito digital, durante um debate no Web Summit Rio com o chefe de Políticas Públicas da OpenAI para a América Latina, Bruno Lewicki.
Segundo Lemos, a ausência de uma política industrial focada no desenvolvimento local torna o país refém de plataformas dos Estados Unidos, como OpenAI e Anthropic, e da China, como DeepSeek e Alibaba. Ele defende a adoção de modelos open source para viabilizar o retreinamento e a adaptação dessas tecnologias ao contexto brasileiro, aproveitando a expertise da comunidade de desenvolvedores do país.
Bruno Lewicki ressaltou que o Brasil é o terceiro maior mercado global de usuários e o segundo em número de desenvolvedores de ferramentas da OpenAI. No entanto, Lemos argumenta que o consumo precisa ser acompanhado de produção. O painel também pontuou que o analfabetismo funcional, que atinge 90% da população segundo o INAF, limita o uso dessas tecnologias, e citou o Vietnã como exemplo de nação que priorizou a independência tecnológica em sua legislação.
