San Lorenzo x Santos: Duelo Sul-Americano Decide Rumo na Competição
San Lorenzo e Santos se reencontram pela primeira vez desde a Copa Libertadores de 2021 nesta terça-feira, 28 de abril, em partida válida pela terceira rodada do Grupo D da Copa Sul-Americana 2026. O Estadio Pedro Bidegain, em Buenos Aires, será o palco de um duelo que pode definir, já na metade da fase de grupos, quem traça o caminho mais claro rumo à classificação.
O Ciclón chega como líder isolado da zona, com quatro pontos conquistados numa sequência de seis jogos sem derrota sob o comando de Gustavo Álvarez. O Santos, por sua vez, ocupa a lanterna com apenas um ponto – e sabe que um novo resultado negativo pode encaminhar uma eliminação no torneio.
A chegada de Gustavo Álvarez ao Ciclón, em 22 de março, transformou o ambiente no Boedo. O técnico argentino de 53 anos herdou um grupo que havia sofrido uma goleada de 5 a 2 para o Defensa y Justicia e acumulava quatro jogos sem vitória no Apertura – e estabilizou tudo com um sistema defensivo compacto e transições rápidas.
No Apertura 2026, San Lorenzo soma 22 pontos e ocupa a sexta colocação da Zona A com duas rodadas restantes na fase regular. Na última sexta-feira, Rodrigo Auzmendi entrou no segundo tempo e marcou de cabeça para garantir a vitória por 1 a 0 sobre o Platense em Vicente López. Um empate sem gols com o Vélez Sarsfield em casa na rodada anterior havia desperdiçado uma chance valiosa, mas o ciclo de seis partidas invicto segue intacto.
Na Sul-Americana, San Lorenzo estreou com um empate por 1 a 1 diante do Deportivo Recoleta no Paraguai e ajustou o trabalho para a segunda rodada, quando venceu o Deportivo Cuenca por 2 a 1 no Gasómetro. Os quatro pontos do grupo D são produto dessa consistência defensiva e da eficiência nos momentos decisivos.
O Santos chega em situação bem mais delicada. No Brasileirão, o Peixe soma 14 pontos em 13 rodadas e figura na 15ª colocação, a um ponto da zona de rebaixamento. Na Sul-Americana, a derrota para o Cuenca no Equador na abertura e o empate por 1 a 1 com o Recoleta em casa deixaram o clube de Cuca com apenas um ponto – lanterna do Grupo D, com três de distância do adversário desta terça-feira.
A dependência do Santos de sua dupla de estrelas é real: em 24 jogos na temporada, Neymar e Gabigol atuaram juntos apenas oito vezes. O clube ainda não venceu em nenhuma das cinco partidas em que ambos ficaram de fora ao mesmo tempo.
O confronto direto entre líder e lanterna tem peso extra. San Lorenzo pode abrir sete pontos de vantagem caso vença, o que tornaria o Santos virtualmente eliminado da corrida pelo primeiro lugar – e em risco real de não alcançar nem a segunda colocação que daria acesso ao playoff. O fator casa, a sequência invicta sob Álvarez e a irregularidade santista continental inclinam a análise para o mandante.
O histórico entre San Lorenzo e Santos se resume a quatro confrontos, todos pela Copa Libertadores, com leve vantagem para o clube brasileiro: dois triunfos do Santos, uma vitória do Ciclón e um empate.
O mais recente aconteceu na fase de grupos da Copa Libertadores 2021. No primeiro jogo, disputado no Nuevo Gasómetro, o Santos venceu por 3 a 1 em Buenos Aires. Na partida de volta, já em território brasileiro, o Ciclón arrancou o empate por 2 a 2. Nenhum dos dois times voltou a se encontrar desde então.
San Lorenzo terá dois desfalques confirmados: Gastón Hernández e Ezequiel Cerutti, que sofreram rupturas de ligamentos e devem ficar afastados por meses. Gustavo Álvarez deve manter a base da última semana, com Jhohan Romaña, colombiano de 26 anos, como referência na linha de três zagueiros, e Rodrigo Auzmendi e Alexis Cuello disputando posição no ataque.
Escalação provável do San Lorenzo (3-4-2-1): Gill; Herrera, Romaña, Montenegro; Tripichio, Abrego, Insaurralde, De Ritis; Barrios, Hernández; Cuello. Técnico: Gustavo Álvarez.
No Santos, Gabigol e Igor Vinícius retornam após cumprirem suspensão pelo acúmulo de cartões amarelos no Brasileirão, e participaram normalmente do treino de domingo no CT Rei Pelé junto com Gabriel Brazão e Willian Arão. O Peixe chega a Buenos Aires com seu ataque-base disponível pela primeira vez na Sul-Americana. Vinicius Lira segue fora com lesão grave; Gabriel Menino ainda não está em condição ideal.
Neymar não participou do treino deste domingo após sentir sintomas gripais, mas está relacionado para a viagem à Buenos Aires para o duelo.
Escalação provável do Santos (4-2-3-1): Brazão; Igor Vinícius, Lucas Veríssimo, Luan Peres, Escobar; Willian Arão, Gustavo Henrique; Bontempo, Neymar (Rony), Barreal; Gabigol. Técnico: Cuca.
Gustavo Álvarez, de 53 anos, assumiu San Lorenzo em 22 de março num momento de crise. Natural de Lomas de Zamora, o técnico chegou ao Ciclón após um ciclo bem-sucedido no futebol chileno: campeão da Primeira Divisão com o Huachipato em 2023, depois conquistou a Copa Chile 2024 e a Supercopa de Chile 2025 pela Universidad de Chile, além de alcançar as semifinais da Copa Sul-Americana daquele ano. Álvarez tem contrato até dezembro de 2026 e já devolveu estabilidade a um grupo que vivia sob o peso de uma crise institucional que levará o clube a eleger nova diretoria em 30 de maio.
Cuca – nome de Aleksander Barcelos, de 62 anos – é um dos treinadores mais titulados do futebol brasileiro. Multicampeão pelo Atlético-MG (Copa Libertadores 2013, Brasileirão 2021) e com passagem anterior pelo próprio Santos (2014-2015), ele retornou ao Peixe para a temporada de 2026 carregando grande expectativa. A campanha até aqui, porém, revela uma equipe instável: o Santos não encontrou consistência sem seus dois atacantes mais importantes e oscila perigosamente nos três torneios que disputa de forma simultânea.
Gustavo Álvarez opera com um 3-4-2-1 compacto, onde o trio defensivo central libera os alas Tripichio e De Ritis para atuar com amplitude e chegada. Abrego e Insaurralde formam um duplo pivô que protege a linha de três, enquanto Barrios e Hernández funcionam como meias de ligação num bloco médio bem estruturado. O time de Álvarez se apoia em transições rápidas após recuperar a posse, com Cuello como referência para segurar a bola.
Cuca trabalha no 4-2-3-1 clássico, com Gabigol como centroavante de referência e Neymar – quando disponível – como armador pela esquerda. A dupla conecta bem quando joga junta, mas a ausência de qualquer um deles reduz consideravelmente a criatividade do time. Os laterais Santos são convocados a subir, o que abre espaços para os contra-ataques adversários.
O ponto de vulnerabilidade do Santos está justamente nas alas. De Ritis e Tripichio têm espaço para pressionar os laterais santistas e criar superioridade numérica nas costas das subidas dos fullbacks. A fragilidade emocional exposta contra o Bahia – dois gols sofridos em sete minutos no segundo tempo depois de liderar por 2 a 0 – também é um dado que a comissão técnica do San Lorenzo certamente considerou na preparação.
