Petro questiona dados preliminares de eleição na Colômbia
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, expressou desconfiança em relação aos resultados preliminares das eleições presidenciais colombianas, divulgados por empresas privadas. A pré-contagem indicou uma vantagem de quase 800 mil votos para o candidato da oposição.
De acordo com a pré-contagem, o candidato de extrema-direita Abelardo de La Espriella obteve 43,7% dos votos (10.361.499), enquanto o candidato de esquerda Ivan Cepeda, do partido governista, alcançou 40,9% (9.688.361). Pesquisas anteriores indicavam Cepeda à frente.
Na Colômbia, o voto não é obrigatório, e a participação eleitoral foi de 57,8% dos mais de 41 milhões de eleitores aptos. Votos brancos e nulos somaram aproximadamente 3%. O segundo turno está agendado para 21 de junho.
O Registro Nacional de Estado Civil ressaltou que a contagem preliminar não possui validade legal e é meramente informativa, não podendo ser considerada um documento eleitoral definitivo. Petro alegou a existência de dois censos: o oficial e um software operado pelos irmãos Bautista, que teria adicionado 800 mil eleitores.
Os empresários Felipe, Camilo e Fernando Bautista, proprietários da empresa de tecnologia Thomas Greg & Sons, e a empresa espanhola Indra estão entre as responsáveis pela contagem preliminar. O especialista em política colombiana Matheus Petrelli, do Observatório Político Sul-Americano (OPSA), mencionou que Petro já criticava esse tipo de pré-contagem em eleições anteriores.
Abelardo de La Espriella, que liderou a pré-contagem, criticou a postura do governo Petro, alertou sobre riscos à democracia e solicitou acompanhamento dos Estados Unidos no segundo turno. Ivan Cepeda, candidato do Pacto Histórico, declarou que uma discrepância precisa ser verificada antes de comentar o resultado.
O resultado das eleições pode influenciar o alinhamento da Colômbia, o segundo país mais populoso da América do Sul, com a política dos Estados Unidos para a região. A alternativa é a continuidade do governo do Pacto Histórico, bloco do atual presidente Gustavo Petro, o primeiro de esquerda no país, que não pode se candidatar à reeleição.
Matheus Petrelli também destacou a importância estratégica da Colômbia na América do Sul, devido ao seu acesso ao Pacífico e ao Caribe, tornando-a um ponto relevante no contexto regional. Até a eleição de Petro em 2022, a Colômbia era vista como uma aliada chave de Washington na região.
