Titulação de terra quilombola no Marajó é inédita
A coordenadora estadual das associações das comunidades remanescentes de quilombo do Pará, Carlene Printes, celebrou a titulação de territórios quilombolas no Marajó. Ela expressou sua alegria ao ouvir os nomes dos locais a serem titulados pelo presidente Lula, durante um encontro nacional de mulheres quilombolas no Distrito Federal, que reuniu mais de 600 participantes.
Carlene Printes descreveu a titulação como um “feito histórico” e uma “surpresa positiva”, pois atende a uma demanda de muitos anos das comunidades. Ela ressaltou que o reconhecimento do território impacta diretamente na proteção dos povos quilombolas, garantindo acesso a políticas públicas e aumentando a segurança das famílias.
Hilário Moraes, representante da comunidade de Santa Luzia no Marajó, também presente ao evento, compartilhou da euforia. Ele relatou as ameaças constantes que a comunidade sofre de grileiros, madeireiros e outros setores. O quilombo de Santa Luzia abriga 19 famílias em uma área de 526 hectares, vivendo da agricultura familiar e protegendo ativamente o bioma amazônico.
A titulação abrangeu 11,6 mil hectares e beneficiou 1.780 famílias em todo o país. Em paralelo, o Incra anunciou a publicação de uma portaria de reconhecimento do território Porto Leocádio em Goiás, contemplando 20 famílias em 1,5 mil hectares. Foram também anunciados cinco novos Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTIDs) para territórios em Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Norte e Bahia, beneficiando cerca de 800 famílias em aproximadamente 22 mil hectares. O RTID é um documento fundamental que registra a ocupação histórica e antropológica das áreas.
