Acre luta contra desinformação para ampliar vacinação contra HPV
O Acre enfrenta um desafio significativo para aumentar a cobertura vacinal contra o HPV, ficando abaixo da média nacional. Em 2023, a cobertura no estado foi de 59% entre meninas e 50% entre meninos, as menores taxas entre todas as unidades federativas brasileiras. Em contraste, a média nacional atingiu 86% para meninas e 74,5% para meninos.
Um incidente ocorrido em 2017, onde 74 adolescentes apresentaram sintomas após a vacinação, gerou uma campanha de desinformação em massa. Apesar de investigações posteriores terem comprovado que os componentes da vacina não causaram os problemas, a repercussão nacional abalou a confiança da população. Renata Quiles, coordenadora estadual do Programa Nacional de Imunizações no Acre, relatou um aumento drástico nos casos notificados devido ao ‘comportamento da massa, estimulada pelo que se veiculava na imprensa e pelo medo natural da população’.
Investigações conduzidas pela Universidade de São Paulo (USP) concluíram que os sintomas graves apresentados por alguns adolescentes eram de epilepsia de origem genética ou crise psicogênica não epilética (CNEP), uma resposta física involuntária ao estresse, e não relacionados à vacina. Sociedades brasileiras de Pediatria e Imunizações confirmaram que a CNEP é uma manifestação de estresse vacinal documentada em diversos países, sem relação biológica com os imunizantes.
A desinformação sobre a vacina contra o HPV, que também incluía a crença equivocada de que poderia estimular a ‘sexualidade precoce’, foi explorada por movimentos antivacina. A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Renata Quiles, lamenta que a vacinação em escolas, a estratégia mais eficaz para adolescentes, tenha sido suspensa. Em 2018 e 2019, menos de 10% dos adolescentes acreanos compareceram aos postos de saúde para se vacinar.
Apesar dos desafios, o trabalho contínuo dos profissionais de saúde e o foco na formação de novas equipes têm contribuído para a recuperação gradual das coberturas vacinais. Em Porto Walter, estratégias inovadoras como o ‘Cinema da Imunização’, que combinava vacinação com sessões de cinema, alcançaram 72% de cobertura entre meninas e 68% entre meninos em 2025. Profissionais como a enfermeira Evelin Plácido destacam a importância de técnicas de comunicação eficazes para combater a desinformação.
A vacinação contra o HPV é crucial, visto que os cânceres associados ao vírus matam cerca de 7,5 mil brasileiros anualmente. O câncer de colo de útero é o mais proeminente, com projeção de 19 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, sendo o Acre o quinto estado com maior incidência. A vacina oferecida pelo SUS protege contra os tipos de HPV de maior risco e é fundamental para a prevenção e potencial eliminação da doença, conforme recomendado pela Organização Mundial da Saúde.
