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Brasileiros desconhecem prevenção de câncer, revela estudo

Brasileiros desconhecem prevenção de câncer, revela estudo

Brasileiros desconhecem prevenção de câncer, revela estudo

Um em cada quatro brasileiros desconhece que o câncer é uma doença passível de prevenção. A informação é parte do relatório Mais Dados Mais Saúde – Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer, divulgado nesta quarta-feira (3).

O estudo investigou como a população brasileira percebe e se relaciona com fatores de risco para o câncer, incluindo tabagismo, bebidas alcoólicas, alimentos ultraprocessados e sedentarismo. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), são estimados 781 mil casos novos de câncer por ano no triênio 2026/2028, um aumento de 10,9% em relação ao período anterior, impulsionado pelo envelhecimento populacional e por hábitos de vida.

A pesquisa, realizada pelas organizações Umane e Vital Strategies com apoio do Instituto Devive e parceria técnica do Inca, entrevistou 6,5 mil pessoas em todo o Brasil. É a primeira edição nacional que investiga o conhecimento dos brasileiros sobre a prevenção do câncer, abordando o que pensam e fazem a respeito.

Enquanto hábitos como fumo e exposição solar sem proteção são amplamente percebidos como perigosos, outros fatores de risco não recebem a mesma atenção. O sedentarismo, por exemplo, é visto como fator de risco por menos da metade dos brasileiros (48,3%). Luciana Grucci Moreira, Chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca, observa uma melhora geral na percepção da população em comparação a estudos internacionais.

O fumo lidera o reconhecimento como fator de risco (90,5%), seguido por herança genética (89,4%) e exposição solar excessiva (88,3%). Fatores como consumo de bebidas alcoólicas (71,3%), alimentos embutidos (70,7%) e ultraprocessados (65,6%) têm menor percepção de risco.

A especialista atribui as diferenças de percepção à eficácia de políticas públicas e campanhas informativas, como as implementadas para o cigarro. Ela defende a ampliação dessas ações para outros fatores de risco.

O estudo também revela que apenas 4 em cada 10 entrevistados sabiam que o aleitamento materno é um fator de proteção contra o câncer de mama. Sobrepeso e obesidade são reconhecidos como risco por 54,1% da população, enquanto o consumo de bebidas adoçadas (55,3%), baixa ingestão de frutas e verduras (53,3%) e sedentarismo (48,3%) têm baixa associação percebida. O consumo de carne vermelha é visto como fator de risco por apenas 27,5%.

A pesquisa abordou também hábitos de consumo. Cerca de 45% dos indivíduos relatam consumir produtos ultraprocessados e tentar reduzi-los, enquanto 33% não consomem e 15% consomem sem intenção de reduzir. Para refrigerantes, 53% consomem e tentam reduzir, 27% não consomem e 15% não querem reduzir.

Quanto à carne vermelha, 45% relatam consumir sem tentar reduzir, 40% consomem e tentam reduzir, e cerca de 10% não consomem. Em contrapartida, 86,3% consomem frutas, legumes e verduras, com 8,3% dos não consumidores expressando intenção de iniciar o hábito.

Jovens de até 24 anos são os maiores consumidores de fatores de risco sem intenção de redução: 32,3% em ultraprocessados, 24,4% em bebidas adoçadas, 29,5% em embutidos e 49,1% em carne vermelha.

Sobre bebidas alcoólicas, associadas a pelo menos oito tipos de câncer, 50,1% da população não consome, e 32,5% dos consumidores já tentaram reduzir o hábito. Jovens de até 24 anos representam a maioria entre os que bebem e não pretendem reduzir (16,9%).

No que se refere ao sedentarismo, 52,2% praticam atividade física e 39% desejam começar. Indivíduos com renda inferior a R$ 2 mil (45%) apresentaram menor conhecimento sobre sedentarismo como fator de risco comparado aos de renda igual ou superior a R$ 10 mil (59,6%).

Sobre peso corporal, 48,8% se declaram com peso saudável. Entre os que reconhecem excesso de peso, 31% estão agindo a respeito, número que cai para 22,9% em pessoas com renda menor que R$ 2 mil, contra mais de 40% entre as de renda acima de R$ 3 mil.

Luciana Moreira, gestora do Inca, destaca que o estudo orienta o planejamento de esforços para levar informação de qualidade à população. Luciana Sardinha, da Vital Strategies, acredita que a visibilidade dos resultados desperta o interesse público sobre os fatores de risco para o câncer.

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