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Cidades Brasileiras Ignoram Calor Extremo e Falta de Planos

Cidades Brasileiras Ignoram Calor Extremo e Falta de Planos

Cidades Brasileiras Ignoram Calor Extremo e Falta de Planos

Apenas 34% das cidades brasileiras iniciaram ou estão em fase de elaboração de planos de ação para enfrentar o calor extremo. O dado integra um estudo divulgado pela presidência brasileira da COP30 e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). A pesquisa faz parte da iniciativa global Coalizão pelo Resfriamento (Cool Coalition), que reúne 258 cidades mundialmente, incluindo 105 no Brasil.

O levantamento, realizado em 53 cidades brasileiras, revela que, apesar de 93% dos gestores considerarem o calor extremo um problema relevante e 68% o incluírem entre os três principais desafios locais, o reconhecimento do risco não se traduz em capacidade de resposta efetiva. Lacunas de dados, governança e financiamento dificultam a adaptação.

Setenta e cinco por cento das cidades não utilizam dados de forma estruturada para embasar decisões sobre o tema, e 85% dependem de recursos externos para implementar medidas de adaptação. Somente 42% possuem sistemas de informações geográficas para mapear riscos associados ao fenômeno.

As ações atuais concentram-se em soluções baseadas na natureza, como arborização urbana, criação de áreas sombreadas e parques, presentes em 77% dos municípios. Em contrapartida, estratégias de resfriamento passivo em edificações e espaços urbanos, como ventilação cruzada e isolamento térmico, aparecem em apenas 21% ou menos das cidades.

Mais de 80% dos municípios ainda não desenvolveram critérios sustentáveis voltados ao resfriamento urbano nas compras públicas, demonstrando pouca incorporação do tema em políticas estruturantes de gestão.

Calor extremo é definido como dias seguidos com acúmulo de calor que não se dissipa à noite, prejudicando a recuperação de corpos, edificações, sistemas de água, energia e agricultura, e aumentando os riscos à saúde e ao funcionamento da cidade. O fenômeno é uma ameaça crescente, associado a cerca de meio milhão de mortes anuais globalmente e aproximadamente 50 mil fatalidades no Brasil entre 2000 e 2020 em regiões metropolitanas.

A CEO da COP30, Ana Toni, ressalta a necessidade de colaboração entre setores da sociedade e níveis de governo para adaptação. O Mutirão Contra o Calor Extremo, criado em 2025, visa apoiar municípios na elaboração de diagnósticos e planos de ação.

Nos próximos 12 a 18 meses, 51% das cidades participantes planejam desenvolver políticas municipais completas sobre o tema, e 28% implementarão intervenções em áreas vulneráveis, visando beneficiar cerca de 7 milhões de pessoas. A urgência se intensifica com a possibilidade de um “Super El Niño” em 2026, que pode agravar secas, incêndios, ondas de calor e chuvas extremas em diferentes regiões do Brasil, conforme alerta o Cemaden.

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