Ancelotti debate formação ideal da Seleção Brasileira para Copa
À medida que a estreia do Brasil na Copa do Mundo se aproxima, Carlo Ancelotti ainda busca as respostas para a formação ideal da equipe. Apesar de ter utilizado o esquema 4-2-4 durante a preparação, o treinador italiano abriu espaço para novos testes após conversas com os jogadores. Uma das solicitações é o reforço do meio-campo com um jogador a mais, transformando o sistema para um 4-3-3. A definição sobre a formação tática ideal tem marcado os últimos treinamentos da seleção antes do confronto contra o Egito, no próximo sábado (6), e antes da estreia no Mundial contra Marrocos, no dia 13.
A necessidade de encontrar soluções improvisadas não é novidade na carreira de Ancelotti. Ao longo de mais de três décadas no futebol de elite, o técnico construiu uma reputação baseada na sua habilidade de solucionar problemas que surgem pelo caminho. Em diversos momentos, ele demonstrou capacidade de mudar sistemas, reposicionar jogadores, reformular conceitos e até revisitar convicções consideradas inabaláveis.
Essa flexibilidade convive com uma ideia de futebol que o acompanha desde o início de sua trajetória como treinador. Em 1997, ao concluir seu curso na Federação Italiana, Ancelotti apresentou uma tese intitulada “O futuro do futebol? Mais dinamismo”, que fundamentou seus princípios. No documento, ele defendia um futebol espetacular, divertido e eficaz, capaz de oferecer emoções ao público através de soluções ofensivas variadas e imprevisíveis, visando o gol.
Essa visão se estendia a detalhes como fisiologia, psicologia e nutrição, temas que ainda tinham pouca relevância em muitos clubes. Ancelotti defendia trabalhos de posse de bola para resistência aeróbica, exercícios de explosão para o sistema anaeróbico e atenção constante ao estado emocional dos atletas. Quase três décadas depois, esse princípio explica as conversas frequentes com os jogadores da seleção para definir a estrutura da equipe.
O livro “O Sonho: Quebrando o recorde de vitórias da Champions League”, lançado em 2025, revela como Ancelotti aprendeu a adaptar suas convicções à realidade dos elencos. Ele admite que alguns de seus maiores erros de carreira ocorreram ao tentar encaixar grandes jogadores em sistemas rígidos. Um exemplo foi com Gianfranco Zola no Parma, onde não conseguiu conciliar o talento do jogador com suas ideias. Outro caso foi a hesitação em contratar Roberto Baggio, por acreditar que ele não se encaixaria em suas formações.
O aprendizado se consolidou com jogadores como Zidane na Juventus. Ancelotti reconheceu que não cometeria o mesmo erro e precisou moldar seu pensamento às habilidades únicas do meia. No Milan, o desafio foi gerenciar um elenco com talentos de perfis distintos, como Gennaro Gattuso, Andrea Pirlo, Clarence Seedorf, Rui Costa, Filippo Inzaghi e Andriy Shevchenko, incluindo a necessidade de acomodar Rivaldo, craque brasileiro campeão do mundo em 2002, sem comprometer o desempenho coletivo e a felicidade individual dos atletas.
