Projeto de cannabis medicinal apoia famílias em Noronha
Em Fernando de Noronha, o Projeto Noronha tem transformado a realidade de mães e crianças neurodivergentes por meio do acesso ao tratamento com canabidiol. A iniciativa, fruto de uma parceria entre a Associação Brasileira de Estudos dos Canabinóides (Abecmed), a Associação de Mães Atípicas de Fernando de Noronha (AMA-FN) e a Administração Distrital, busca mitigar os desafios geográficos e de saúde pública do arquipélago.
A professora Rayane Dixie dos Santos, de 31 anos, é uma das beneficiadas. Mãe de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de suporte 2 e TDAH, ela relatava crises severas de agitação e agressividade do filho. Após o início do tratamento com CBD em março, houve uma melhora comportamental significativa. O mesmo ocorreu com Rebeca Allen, presidente da associação de mães local, que encontrou no canabidiol suporte para o controle da ansiedade e melhora no sono, após a sobrecarga decorrente do cuidado integral ao filho de sete anos.
O projeto realizou, em fevereiro e maio deste ano, dois mutirões que contabilizaram 126 consultas médicas e a distribuição de 221 óleos de canabidiol. A iniciativa agora foca na construção de uma sede própria em um terreno cedido pela administração local. O objetivo é expandir o acolhimento integral, já que o isolamento geográfico da ilha dificulta o acesso a tratamentos complexos no continente, situação que agrava quadros de depressão, insônia e questões neurológicas entre os moradores.
Dados do relatório de impacto indicam que 70,6% dos pacientes buscaram atendimento para saúde mental, seguidos por 41,3% para neurodivergências. Especialistas apontam que o canabidiol atua reduzindo a hipersensibilidade do sistema endocanabinoide, permitindo que os pacientes mantenham o foco e a disposição necessária para terapias multidisciplinares, diferenciando-se de fármacos sedativos tradicionais como a Risperidona e o Aripiprazol.
