Copa do Mundo amplia risco com apostas esportivas
A paixão pelo futebol durante a Copa do Mundo tornou-se um vetor para a expansão das empresas de apostas online, as chamadas bets. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) emitiu um alerta sobre o uso do evento esportivo como ferramenta de manipulação, citando dados da Softswiss que indicam um potencial aumento de 50% no volume global de apostas, podendo movimentar US$ 52 bilhões, superando os US$ 35 bilhões da edição anterior em 2022.
O diretor de Operações da Softswiss, Alexander Kamenetsky, atribui este crescimento ao formato ampliado da competição, que passou de 32 para 48 equipes, além da evolução tecnológica nas apostas móveis. No Brasil, estimativas sugerem que brasileiros possam representar 10% do volume global. O Placar das Bets, da Klavi, indica que desde 9 de junho os apostadores brasileiros já gastaram R$ 530,21 milhões, com o ticket médio subindo de R$ 188 para R$ 242 até o dia 25 de junho.
Para o Idec, a expansão das bets é nociva e reforça a necessidade de revisão das leis de 2018 e 2023. O instituto critica a banalização do jogo e defende que o Supremo Tribunal Federal (STF) declare a inconstitucionalidade das normas atuais. O professor da Unifesp, Ahmed El Khatib, destaca que o apelo emocional do futebol reduz os freios racionais dos torcedores, criando uma ilusão de controle que resulta em endividamento e transferência de recursos para o setor de apostas, que já patrocina mais de 50% dos clubes brasileiros.
Citando dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o endividamento com jogos retirou R$ 143 bilhões do varejo entre janeiro e março de 2023. El Khatib defende a construção de um ambiente regulado, sugerindo o uso de inteligência artificial para identificar apostadores compulsivos, a proibição de publicidade com promessas de enriquecimento e a implementação de campanhas de educação financeira, traçando um paralelo com as restrições impostas a produtos como álcool e cigarro.
