Violência infantil persiste no Brasil apesar do diálogo defendido
Uma pesquisa realizada pela Quaest a pedido do Instituto Infinis revela que o uso de violência física e verbal contra crianças continua disseminado na cultura brasileira. Embora 90% dos entrevistados defendam o diálogo como método ideal para educar, a prática cotidiana aponta para um paradoxo: 62% admitem já ter gritado, 49% ter dado tapas e 27% ter batido com objetos em crianças.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania registrou 115.814 denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes apenas nos primeiros quatro meses de 2026. Márcia Kalvon, diretora executiva do Instituto Infinis, destaca que compreender essas percepções é essencial para interromper o ciclo intergeracional de violência que afeta parte dos 55 milhões de brasileiros com menos de 18 anos.
O levantamento de 2026, que ouviu 2.202 pessoas, aponta ainda que 62% dos brasileiros não interferem ao presenciar atos de agressão contra menores, alegando privacidade familiar ou medo de reações violentas. Além disso, 71% dos entrevistados não souberam citar leis de proteção à infância, enquanto 61% consideram aceitável o trabalho infantil, evidenciando desafios persistentes para as políticas públicas do setor.
