Mola gestacional: tumor benigno que pode evoluir para câncer de placenta
A doença trofoblástica gestacional, popularmente conhecida como “mola”, é um tumor benigno que surge a partir de um erro na fertilização. Em até 20% dos casos, essa condição pode evoluir para um câncer de placenta maligno. O diagnóstico geralmente ocorre durante o primeiro ultrassom gestacional, surpreendendo muitas mulheres que nunca ouviram falar sobre a doença.
Existem dois tipos principais de mola. Na mola incompleta, um espermatozoide com DNA duplicado ou dois espermatozoides fecundam um óvulo normal, resultando em uma placenta imperfeita e um embrião com anomalias genéticas incompatíveis com a vida. Já na mola completa, um óvulo sem DNA é fecundado por um espermatozoide com as características mencionadas, gerando apenas uma placenta anormal, sem embrião.
Em ambas as situações, a interrupção da gestação e a retirada da mola são necessárias para evitar riscos como sangramento uterino e alterações na tireoide e pressão sanguínea. O risco mais grave é o desenvolvimento de câncer de placenta, quando células da mola se instalam no útero. Isso ocorre em menos de 5% das mulheres com mola parcial, mas atinge uma em cada cinco mulheres com mola completa. Em casos agressivos, pode haver metástase, principalmente para os pulmões.
Segundo o professor de obstetrícia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Antônio Braga, a maioria das pacientes descobre a condição em ultrassonografias de rotina. O ambulatório de Doença Trofoblástica Gestacional da Maternidade Escola da UFRJ atende cerca de 80 pacientes por semana pelo Sistema Único de Saúde, vindas do Rio de Janeiro e de outros estados, ressaltando a importância do atendimento em centros de referência para reduzir o risco de mortalidade.
Após a retirada da mola, o acompanhamento criterioso é fundamental. Um exame histopatológico determina o tipo de mola, e a paciente passa por consultas periódicas com medição do hormônio HCG. A queda e estabilização dos níveis de HCG indicam a cura. Se o hormônio não normalizar, é sinal de que as células da mola migraram para o útero, desenvolvendo o câncer, que é tratado com quimioterapia.
Pacientes mais velhas, com filhos ou que não pretendem ter mais, podem ser candidatas à histerectomia. Mônica Rosa do Amaral Pelizari, diagnosticada aos 45 anos após um abortamento espontâneo, desenvolveu câncer de placenta e passou pelo tratamento. Ela destaca a importância do apoio familiar e dos profissionais de saúde para enfrentar a doença.
O impacto da mola e do câncer de placenta afeta toda a família, exigindo apoio logístico e financeiro. O tratamento pode interromper planos e carreiras, como no caso de Daiana Nascimento, que precisou de transporte intermunicipal para o tratamento. O suporte social e psicológico, incluindo musicoterapia, é oferecido para auxiliar as pacientes e seus familiares nesse processo desafiador.

