Mulheres buscam maior representatividade na direção cinematográfica brasileira
Embora formem a maioria em cursos audiovisuais, as mulheres ocupam menos de 20% dos cargos de liderança no cinema brasileiro. Minom Pinho, diretora da Apaci e idealizadora do FIM Cine, defende que a mudança desse cenário exige políticas públicas, com indicadores e metas claras, como a proposta de alcançar 30% de participação feminina em roteiros e direção de longas-metragens até 2030.
Dados do Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro de 2024, do OCA e da Ancine, confirmam a disparidade: mulheres representam apenas 17% da direção de filmes e séries. Em 2023, 231 longas foram dirigidos exclusivamente por homens, contra apenas 52 por mulheres. No roteiro, o cenário é similar, com 165 produções masculinas frente a 41 femininas, apesar da predominância de mulheres na direção de arte e produção-executiva.
Durante o festival Bonito CineSur, debates reforçaram a necessidade de equidade e maior protagonismo feminino. A atriz chilena Paulina Garcia destacou a importância de narrativas mais complexas, enquanto Gabriela Sandoval, diretora do festival Sanfic, defendeu a criação de redes entre mulheres sul-americanas para fortalecer o acesso a espaços de decisão e transformar a indústria audiovisual no continente.

