Mostra exibe diversidade cultural Brasil-China com 14 filmes
A 5ª Mostra de Cinema China Brasil inicia nesta segunda-feira (3) e se estende até o dia 25, promovendo a integração cultural entre os dois países. O evento, que celebra o Ano Cultural Brasil-China, apresentará 14 filmes, incluindo sete títulos chineses inéditos no Brasil. Entre eles está “Operação Sombra”, mais recente sucesso de bilheteria estrelado por Jackie Chan. As exibições ocorrerão no CineSystem Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, com entrada gratuita, mediante retirada de ingressos pelo site Ingresso.com ou na bilheteria.
A curadoria da mostra é dos idealizadores Arthur Chen e Hélio Pitanga. A programação destaca produções que revelam uma China menos conhecida e distante de estereótipos, como o documentário “Yuan Longping: Pai do Arroz”. Este filme narra a história de um agrônomo renomado que revolucionou o cultivo de arroz em seu país, essencial para a alimentação de sua vasta população e para a produção em terras com área limitada. “O chinês come muito arroz. Para manter os habitantes, precisa produzir mais, e a China tem pouca terra na produção. Tem que aumentar. Ele é um dos cientistas mais conhecidos e renomados da China”, explicou Arthur Chen.
Outros destaques incluem documentários sobre a China do trabalho e da tecnologia, como “Iluminando Ali: O Diário de um Engenheiro” e “Trabalhadores da Rede Elétrica do Cinturão e Rota”. Arthur Chen, empresário e cidadão brasileiro nascido na China, buscou autenticidade, diversidade e empatia na seleção chinesa. Ele ressaltou a importância de incluir “Operação Sombra”, filme inédito com Jackie Chan, figura popular no Brasil e com forte apelo para atrair o público. “É um grande filme. Pela idade dele [Jackie Chan], agora é cada vez mais difícil de produzir. Operação Sombra é o estilo dele de muita ação”, comentou Chen, mencionando as cenas de artes marciais.
Chen também mencionou a animação “Filho Cabeçudo e Pai Cabeçudo”, descrevendo-a como uma oportunidade de conhecer a infância chinesa, comparando-a à Turma da Mônica. O acervo brasileiro inclui filmes que exploram música, memória e afeto, como a cinebiografia “Mamonas Assassinas: O Filme”, os documentários musicais “Corações a Mil” e “Belchior – Apenas um Coração Selvagem”, o drama “Nosso Lar 2: Os Mensageiros”, o retrato do sociólogo Herbert de Souza em “Betinho – A Esperança Equilibrista”, a animação “Tromba Trem: O Filme” e o documentário “Vai Pra China, Eduardo”.
A curadoria buscou produções nacionais de ficção, documentário e animação que se destacaram em festivais, independentemente de premiações. “No caso de documentário é uma oportunidade de levar o público com entrada franca, já que ele é muito limitado nas salas comerciais de cinema. Ele entra nas salas via festivais. As ficções, seja também a animação, a gente procura ver filmes que também tiveram boa performance em festivais mas nem tanto em salas comerciais. Aí se dá uma opção para o público assistir na tela grande”, explicou Hélio Pitanga. Ele acrescentou: “Ao mesmo tempo, a gente incrementa essa integração com a China de filmes e cultura. É sempre com esse olhar de trazer os filmes nacionais junto com os chineses. Não é uma mostra específica de filmes chineses”.
A mostra inova com o Concurso Jovem Cineasta, voltado para jovens de 18 a 29 anos do estado do Rio de Janeiro, que deverão produzir filmes de 1 a 2 minutos sobre o tema “Ano de Relações Culturais China x Brasil”. “A cada ano a gente tenta incrementar com algum novo case”, disse Chen, destacando a democratização do audiovisual impulsionada pela tecnologia digital e pelo uso de celulares. A premiação ocorrerá na terça-feira (4), na cerimônia de abertura oficial da mostra no Palácio Tiradentes, com a participação da atriz Lucélia Santos. Na ocasião, também será entregue o Prêmio Arara Azul às 14 produções participantes.
Pitanga ressaltou o caráter da mostra em reconhecer o valor de todas as obras, sejam chinesas ou brasileiras: “A gente é uma mostra e não um festival. É legal contemplar todos os filmes chineses e brasileiros, aos seus produtores e diretores. Se ganhou prêmio ou não, a gente está reconhecendo o valor daquela obra. É uma maneira também de estimular o filme e o conteúdo em si”.
Um circuito educativo em escolas bilíngues foi organizado para alunos da rede pública do Rio que estudam mandarim. As sessões, que ocorrerão no Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Samuel Wainer e na Escola Municipal Orsina da Fonseca, na Tijuca, visam expandir o conhecimento cultural sobre o cinema chinês e fortalecer a integração entre o idioma, a cultura e o imaginário. Serão exibidas animações como “Muqiling” e “Yeluoli”, e documentários como “Liangzhu: Um Diálogo entre Civilizações”, além de “Os Temíveis Monstros da Dinastia Tang”, “Tromba Trem: O Filme” e “Eu Sou o Que Sou”. “É muito interessante fazer esse mix na área educativa. A gente vai até a escola deles. Vai interessar não só o público dos alunos, que é o maior, mas também os professores. São filmes que vão a diversas faixas etárias”, comentou.
Ao longo do mês, a mostra chegará a centros culturais como a Arena Carioca Fernando Torres, em Madureira, e a Biblioteca Parque da Rocinha, na zona norte, além do Instituto Zeca Pagodinho, em Xerém. Nessas atividades, o público poderá participar de conversas com profissionais do mercado audiovisual chinês. “Rocinha hoje virou referência mundial de comunidade, e Zeca Pagodinho é outra referência nacional, mestre da música brasileira. A gente teve a possibilidade de levar para lá, fizemos contato, eles ficaram felizes e aceitaram a nossa proposta”, disse Arthur Chen sobre a escolha destes locais.
A programação detalhada inclui sessões no CineSystem Botafogo de 3 a 5 de agosto, com filmes como “Tromba Trem: O Filme”, “Iluminando Ali: O Diário de um Engenheiro”, “Betinho – A Esperança Equilibrista”, “Vai Pra China, Eduardo” e “Operação Sombra” no dia 3. No dia 4, “Filho Cabeçudo e Pai Cabeçudo”, “Liangzhu: Um Diálogo entre Civilizações”, “Mamonas Assassinas: O Filme”, “Trabalhadores da Rede Elétrica do Cinturão e Rota” e “Nosso Lar 2: Os Mensageiros”. No dia 5, “Master Zhong”, “Corações a Mil”, “Yuan Longping: Pai do Arroz” e “Belchior – Apenas um Coração Selvagem”.
As sessões educativas ocorrerão no Ciep Samuel Wainer em 6 de agosto (“Muqiling” e “Yeluoli”) e na E.M. Orsina da Fonseca em 7 de agosto (“Liangzhu”, “Os Temíveis Monstros da Dinastia Tang”, “Tromba Trem” e “Eu Sou o Que Sou”). De 12 a 14 de agosto, a Arena Carioca Fernando Torres apresentará “Os Temíveis Monstros da Dinastia Tang”, “Tromba Trem: O Filme”, “Master Zhong”, “Corações a Mil”, “Liangzhu” e “Eu Sou o Que Sou”. A Biblioteca Parque Rocinha receberá exibições de 20 a 21 de agosto (“Eu Sou o Que Sou”, “Os Temíveis Monstros da Dinastia Tang”, “Liangzhu” e “Master Zhong”, “Tromba Trem”). O encerramento será em 25 de agosto no Instituto Zeca Pagodinho com “Filho Cabeçudo e Pai Cabeçudo”, “Liangzhu”, “Os Temíveis Monstros da Dinastia Tang” e “Eu Sou o Que Sou”, precedido por uma abertura e performance chinesa.

