Crise climática desafia resiliência das redes elétricas brasileiras
A crescente frequência de fenômenos climáticos extremos, como os vendavais que paralisaram o Rio de Janeiro recentemente, impõe desafios severos aos planos de contingência das concessionárias de energia. Rajadas de vento, enchentes e temporais têm causado danos estruturais, incluindo a queda de postes e o rompimento de redes, gerando apagões prolongados e riscos de incêndio.
Ricardo Brandão, diretor de Regulação da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), reconhece que o cenário é de dificuldades crescentes. O setor elevou os investimentos anuais de R$ 18 bilhões, em 2021, para R$ 41 bilhões em 2025, focando em digitalização, automação, redes inteligentes e manutenção baseada em riscos. Contudo, especialistas como o professor Edson Watanabe, da Coppe/UFRJ, defendem uma atuação mais incisiva das concessionárias na modernização da infraestrutura.
O debate sobre o enterramento de redes elétricas permanece central. Enquanto a Abradee argumenta que o alto custo, dez vezes superior ao das redes aéreas, não deve recair sobre a tarifa, pesquisadores divergem sobre a responsabilidade do investimento. Para enfrentar a expectativa de um forte El Niño no segundo semestre, as distribuidoras reforçam treinamentos e o compartilhamento de equipes entre regiões, estratégia que se provou eficaz durante a crise climática no Rio Grande do Sul em 2024.

