Rede elétrica enfrenta desafios diante de eventos climáticos extremos
O aumento na frequência de eventos climáticos extremos, como o vendaval recente no Rio de Janeiro, impõe desafios crescentes aos planos de contingência das concessionárias de energia. Tempestades e rajadas de vento de até 100 km/h provocam quedas de postes e árvores, rompimento de fios e riscos de incêndios na rede elétrica, resultando em apagões prolongados, que chegaram a durar 30 horas para alguns consumidores.
Para mitigar esses problemas, a Abradee informa que os investimentos do setor saltaram de R$ 18 bilhões em 2021 para R$ 41 bilhões em 2025. Segundo o diretor de Regulação Ricardo Brandão, mais de 40% desse montante é destinado à modernização e digitalização da infraestrutura, permitindo maior automação e manobras eficientes para isolar falhas. Contudo, o professor Edson Watanabe, da Coppe/UFRJ, argumenta que as concessionárias devem ser mais proativas para evitar a deterioração do sistema diante da urgência climática.
O debate sobre soluções de longo prazo inclui a implementação de fiação subterrânea, cujo custo é até dez vezes maior que o da rede aérea. Enquanto as concessionárias defendem que esse custo deve ser arcado pelo poder público por impactar severamente as tarifas, o setor se prepara para eventos mais intensos com o possível Super El Niño. Estratégias como o compartilhamento de equipes entre distribuidoras, previsto pela Aneel, seguem como alternativa essencial para acelerar a reconstrução da rede em momentos de crise.

