PF: Castro recebeu adega e mansão por favorecer Refit
A Polícia Federal (PF) apresentou um relatório indicando que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, teria recebido diversas vantagens indevidas. Em contrapartida, ele teria atuado para beneficiar a refinaria Refit, anteriormente conhecida como Refinaria de Manguinhos. O ex-chefe do Executivo fluminense nega as acusações.
As informações surgiram em relatório da segunda fase da Operação Sem Refino, cujo sigilo foi liberado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento detalha que as vantagens recebidas indevidamente incluem bens de luxo e ocultação de patrimônio, com o registro de bens em nome de terceiros (‘laranjas’) para pagamento de despesas pessoais de Castro.
Segundo a PF, o esquema criminoso envolvia lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Em troca, o ex-governador teria favorecido os interesses do empresário Ricardo Magro, apontado como líder da organização criminosa responsável por corromper agentes públicos. A investigação aponta que Castro mantinha contato direto com responsáveis por licenças ambientais para agilizar empreendimentos e prejudicar concorrentes de Magro. Magro está foragido e na lista de difusão vermelha da Interpol.
O relatório cita exemplos como uma degustação de caviares de R$ 10,5 mil, paga pela empresa AC Santos Participações e Empreendimentos, e o usufruto de uma casa em Petrópolis registrada em nome da Concrecasa Construções Inteligentes Ltda. Castro teria encomendado a construção de uma adega personalizada e determinado a rotina dos empregados na mansão. O benefício da casa seria uma compensação pela empresa Enge Prat Engenharia, que assinou R$ 355 milhões em contratos com o governo fluminense.
Outro indício de vantagem irregular seria o pagamento de R$ 10 mil pelo aluguel da cobertura onde Castro reside na Barra da Tijuca, valor significativamente abaixo do mercado. O imóvel foi adquirido pela J3 Real Estate Participações Ltda. por R$ 3,4 milhões, 50 dias após a criação da empresa. A defesa de Cláudio Castro negou qualquer participação em lavagem de dinheiro ou recebimento de vantagem indevida, alegando que os imóveis citados eram alugados e que o episódio do caviar ocorreu após sua saída do governo.
Em nota, a defesa afirmou que não há ligação entre os episódios e a Refit, que os contatos com a empresa foram institucionais e que o Estado cobrou valores devidos. A defesa também contestou a informação sobre uma viagem a Nova York ter sido custeada pela Refit, afirmando que foi oficial e paga pelo Governo do Estado. O pedido para que Cláudio Castro seja ouvido pela PF para esclarecer os pontos está aguardando decisão.

